Lupionópolis – O único padre cigano da América Latina, frei Tadeu Luis Fernandes, foi recebido ontem com festa pela população de Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina). Os paroquianos gostaram no novo padre e acharam curioso ele usar brinco, anéis e vestimentas com textos em romani, língua milenar dos ciganos.
A solenidade foi realizada na manhã de ontem, na Igreja Cristo Rei, e contou com a presença do arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin. Frei Tadeu e Dom Albano falaram aos moradores locais sobre a cultura cigana, pediram mais atenção aos povos nômades e tolerância quanto ao preconceito. Durante a cerimônia o arcebispo recebeu do frei um ‘‘aguaio’’, manto tipicamente usado pelos ciganos. ‘‘A mãe-igreja deve cuidar sempre das minorias. Sejam negros, índios ou os ciganos, povo que tem os valores familiares como preceitos sagrados’’, comentou Dom Albano.
Frei Tadeu usou uma batina com os dizeres ‘‘Senhor, perdoai-vos! Eles não sabem o que fazem’’ em romani. Ele se emocionou com a receptividade da população e prometeu fazer um bom trabalho junto à comunidade.
No mundo são apenas cinco padres ciganos. Nascido em Minas Gerais, frei Tadeu, 46 anos, foi criado na Espanha e morou em vários países como Chile, Peru, Inglaterra e Índia. Sua tribo é Khalom, originária da região da Andaluzia na Espanha.
O padre faz questão de manter algumas tradições de seu povo. ‘‘Nossa sala de refeições é decorada com tapetes e cortinas, como uma tenda, mas dentro de casa. Sentamos no chão para comer.’’ Frei Tadeu também faz artesanato com cobre, porcelana e tecido. Para ele, a cultura cigana é muito rica e tem valores excelentes, mas o preconceito e o racismo impedem as pessoas de a conhecerem. ‘‘Quando as pessoas desconhecem o que é diferente começa a nascer o preconceito e o racismo. O nosso trabalho é fazer as pessoas conhecerem a cultura cigana e ver como ela é rica.’’ O padre foi o fundador da congregação Irmãozinhos Franciscanos de Emaús, é religioso há 20 anos e sacerdote há 14.
Além de assumir a paróquia Cristo Rei, o padre também será o guardião da Fraternidade Franciscana Nossa Senhora Marhary Khaly, um convento que funcionará na casa paroquial. O frei Alessandro Orlovsky vai morar na fraternidade para auxiliar na administração.
Frei Tadeu ressaltou que gosta de trabalhar em comunidades pequenas porque gosta de conversar com todos e visitar as famílias. ‘‘Nas cidades maiores isso é mais difícil, além disso a violência me assusta um pouco.’’ Segundo ele, a cidade está bem atenta com a novidade. ‘‘Eu uso os trajes coloridos, anéis e brincos de cobre, característicos da minha tribo, mas irei devagar para as pessoas se acostumarem.’’

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