Enquanto as cidades do interior do Estado vêm registrando altos índices de infestação de dengue, a pacata cidade de Lunardelli pode comemorar o fato de ter registrado apenas um caso da doença este ano, e importado. Porém, o surto que a cidade vem enfrentando é outro: com 38 notificações registradas desde dezembro do ano passado, Lunardelli, município com menos de 6 mil habitantes, tem vivido um surto de hepatite A.
''Não tenho dados dos anos anteriores, mas com certeza nunca tivemos uma incidência tão grande da doença'', afirmou a enfermeira responsável pela epidemiologia da Secretaria de Saúde da cidade, Damaris Ribas Morais. Segundo a enfermeira, em cerca de 30% dos casos a hepatite A é assintomática. Assim, é provável que o número de pessoas infectadas seja ainda maior.
Como a transmissão se dá basicamente por via fecal e oral, além de por contato entre pessoas, os casos têm se concentrado nos bairros mais pobres da cidade. ''Tenho visto que essa doença tem atingido mais a população carente. Pode ser questão de higiene, mesmo porque esses lugares não têm saneamento'', observou a agente comunitária de saúde Elza Maria da Silva.
De acordo com a enfermeira da epidemiologia, a doença tem um tempo de incubação de cerca de 30 dias, período em que, apesar de não apresentar nenhum sintoma, o infectado pode transmitir o vírus para outras pessoas. Em muitos casos, os sintomas ainda podem ser confundidos como uma gripe ou virose, o que faz com que alguns infectados nem procurem atendimento médico. Dessa forma, a previsão é de que mais casos sejam registrados no decorrer do ano.
Para combater o problema, segundo o prefeito Célio Pinto de Carvalho, o município organizou reuniões com profissionais da área da saúde, as duas equipes do Programa Saúde da Família (PSF) que atendem na cidade, professores e diretores de escolas, além de nutricionistas e responsáveis pela merenda, a fim de orientar os profissionais dessas áreas sobre como proceder em relação à doença.
As crianças são maioria entre os infectados, por estarem mais expostas aos fatores de transmissão, mas o município registrou casos também em adultos. As crianças que tiveram o diagnóstico confirmado foram afastadas da escola por 30 dias. Até sexta-feira, na única escola municipal da cidade, duas crianças ainda permaneciam de repouso. ''Nós já tomamos algumas medidas. O flúor que é aplicado toda semana agora é distribuído em copinhos descartáveis. Além disso, estamos pedindo para as crianças levarem as próprias canecas e talheres para a escola. Os banheiros também estão sendo lavados mais vezes ao dia, e estamos orientando as crianças'', listou Raquel Aparecida Galego, supervisora da Escola Municipal de Lunardelli, que tem 367 alunos de 1 a 4série. O último caso notificado no município foi há mais de 10 dias.

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