Curitiba - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou por volta das 20h15 de sexta-feira ao Palácio das Araucárias, sede provisória do governo do Paraná, e onde foi velado o corpo de Zilda Arns. Antes de ir ao velório, Lula se encontrou reservadamente com cerca de 50 familiares de Zilda, no sexto andar da sede do governo. Além de Lula, o senador pelo Paraná Flávio Arns (PSDB), sobrinho de Zilda, e o governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), falaram aos familiares durante cerca de 40 minutos. Antes de descer para o velório, Lula teria falado sobre a possibilidade de indicar Zilda ao Nobel da Paz e da criação de um prêmio que levaria o nome da fundadora da Pastoral da Criança.
Numa única declaração que fez à imprensa, antes de seu retorno a Brasília, Lula falou sobre Zilda, ''um exemplo para todos os brasileiros'', mas preferiu não tratar da possibilidade de indicá-la ao prêmio internacional. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio das Araucárias, presente no encontro reservado, Lula teria prometido aos familiares encampar pessoalmente a indicação póstuma de Zilda ao Nobel da Paz. O prêmio só é dado a pessoas vivas. A exceção aconteceu em 1961, quando o Secretário-Geral da ONU, Dag Hammarski Id, que morreu em acidente e recebeu o prêmio a título póstumo.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, o presidente falou sobre suas relações com a família de Zilda, que começaram nos anos 1970. Na época, ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista.
Depois do encontro com os familiares, Lula desceu ao velório, onde ficou por cerca de dez minutos. Em seguida, fez uma declaração à imprensa que o aguardava no local. ''Eu penso que quem viveu no Brasil nessas duas décadas e meia e que lutou pela conquista da democracia, pela conquista dos direitos humanos, que lutou pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, pelas crianças, pelos idosos, sabe que se fechássemos os olhos, para imaginar uma pessoa, veríamos o rosto da Dona Zilda. Foi uma perda muito grande para o Brasil, para o mundo, de uma pessoa que dedicou sua vida a cuidar dos mais necessitados. E que morreu num momento em que estava fazendo uma das coisas mais sagradas que ela fazia, que era visitar as pessoas pobres, não só no Brasil, mas em vários países do mundo'', declarou.

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