Quando saiu de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, há nove meses, o operador de máquinas Pedro Rezende, 34 anos, talvez não imaginava a tranquilidade que encontraria no seu novo bairro. Veio a trabalho e logo se instalou no Jardim Sabará, bairro da Zona Oeste de Londrina, formado na década de 70, que fica próximo à sua empresa. ''É muito tranquilo aqui. Tem uma área de lazer legal, com um ambiente agradável, onde os pais podem vir trazer os filhos para brincar.'' Ele mesmo aproveita o descanso do final de semana para levar os dois filhos, de oito e 11 anos, para jogar bola e andar de bicicleta.
Além de uma pista de bicicross, o bairro tem dois campos de futebol e uma pista de caminhada. ''É um lugar muito gostoso para morar. Não trocaria por lugar nenhum, porque aqui a gente dá valor para a boa convivência entre os vizinhos'', afirma a dona-de-casa Cacilda Pascoaleto de Andrade, 44 anos, 14 deles morando no Jardim Sabará. Ela é uma das responsáveis por um dos cartões postais do bairro: uma praça, toda pintada e florida, cuidada pelos próprios moradores. ''Há uns três anos eu resolvi arregaçar as mangas e limpar aquele mato que tinha ali em frente da minha casa.''
Quando pegou na enxada, logo uma vizinha se ofereceu para ajudar. Então veio outra, e mais outra e cinco delas se mantêm firmemente na função de cuidar do local. ''Tem mais gente que ajuda, mas nós cinco assumimos esta responsabilidade. Tem quem ajuda com uma pequena quantia em dinheiro para comprar plantas e tem quem ajuda com mão-de-obra.'' Para ela, a praça é um local de encontro com as amigas. ''No final da tarde a gente faz chá, cachorro- quente, pipoca e nos juntamos, enquanto as crianças brincam.''
A boa convivência entre vizinhos, segundo Cacilda, é a única arma que a comunidade tem contra a criminalidade. Ela analisa que o bairro - ''assim como toda a cidade'' - enfrenta problemas de segurança, mas que mesmo assim ainda é considerado um ambiente tranquilo. ''Policial não tem para atender a cidade inteira, então um vizinho tem que ajudar o outro.''
O Jardim Sabará foi formado na década de 70, e durante um bom tempo - como explica o presidente da associação de moradores local, Paulo Barbosa Guterres - foi confundido com uma extensão do Jardim Bandeirantes, que fica do outro lado do Córrego do Cambezinho. ''Teve uma época que a criminalidade era grande aqui, mas hoje a insegurança é a mesma de toda a cidade.'' Ao todo, moram no bairro cerca de 300 famílias. ''Aqui prevalece muito o espírito de boa convivência. É uma marca deste bairro.''
Apesar da aparência tranquila do local, para a dona-de-casa Emi Costa, 39 anos, a insegurança é a pior característica de lá. ''Aqui não passa policial'', reclama. Já o despachante Marcelo Amador Gato, 28 anos, reclama da falta de segurança no trânsito. ''Os carros correm muito aqui. As pessoas poderiam respeitar, porque aqui é um bairro.'' Segundo Guterres, vários pedidos de instalação de quebra-molas em várias ruas do bairro foram feitos aos órgãos públicos competentes, mas todos foram indeferidos. ''Eles dizem que não podem colocar barreiras nas vias, porque não tem escolas ou local de tráfego de estudantes.''
Independente dos quebra-molas, ao entardecer e nos finais-de-semana as ruas do bairro ficam repletas de crianças e jovens andando de bicicleta e jogando bola. ''Aqui é muito legal, porque aqui os pais brincam com os filhos'', observa Fábio Politi, 31 anos. Ele mora na Região Central de Londrina, mas frequenta o Jardim Sabará no sábado e domingo para praticar bicicross ou andar com seu carro auto-modelo na pista de terra. ''Aqui já foi um bairro mais complicado, mas agora a gente vem e ninguém se sente intimidado ou com medo. Sempre tem gente na pista de bicicross e também campeonatos. Um lugar bom para se divertir.''

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