Ludoterapia para tratar os dentes
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terça-feira, 04 de janeiro de 2011
Maigue Gueths <br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Há quatro anos, quando a jornalista Elizandra Morais, 37 anos, precisou levar seu filho Lucas, então com 2, para o dentista, ela não pensou duas vezes: procurou o tio Leo, o mesmo odontopediatra que a atendeu em sua infância. ''Tinha uma lembrança boa, brincava com uma massinha no consultório e eu gostava de ir ao dentista'', conta.
E é assim, fazendo seu trabalho como dentista mas imprimindo uma sensação de brincadeira para seus pequenos clientes, que o odontopediatra Leo Kriger, 68, fez sua história na Capital. Pelo menos duas gerações conhecem o sistema de tratamento desenvolvido por ele em seus 45 anos de profissão, e que consiste basicamente em ludoterapia feita com material odontológico, além de grande dose de carisma do tio Leo.
O método já lhe rendeu artigos em revistas especializadas e no final de janeiro será apresentado a profissionais de vários países no Congresso Internacional de Odontologia do Centenário, em São Paulo.
A técnica desenvolvida por ele há aproximadamente 40 anos é extremamente simples. Surgiu quando fazia um curso de ludoterapia, para facilitar o tratamento odontológico de crianças. Normamente os dentistas usavam brinquedos, como carrinhos, ou moldes de gesso para pintar para entreter a criançada. Teve então a ideia de usar dois tipos de ceras, uma vermelha e uma amarela, que são utilizadas em tratamentos odontológicos, para serem manuseadas pelos pequenos pacientes como massa de modelar.
Sempre que uma criança chega ao consultório pela primeira vez, ele a leva para ver seu pequeno museu, cheio de esculturas amarelas e vermelhas feitas pelos pacientes. As diferentes formas de dinossauro, borboleta, jacaré, violão, avião e centopeia tornam-se pretexto para conversa entre eles. No fim da primeira sessão, entrega quatro pedaços da cera para a criança levar para casa e fazer a sua própria escultura, que será incluída na exposição já na sessão seguinte. Essa rotina se repete durante todo o tratamento.
''Estabeleço um vínculo com a criança. A massinha não é um prêmio, é uma vínculação, um reforço da amizade'', diz. O relacionamento entre paciente e dentista tem ainda mais um segredo. Doutor Leo faz questão de chamar a criança de ''amigo'', distribui adesivos do Clube dos Amigos, e deixa claro que só quem é seu amigo tem direito a sentar na cadeira do consultório. Assim, no primeiro dia, o paciente nem se senta na cadeira de dentista. A abordagem é progressiva, e a criança só vai ocupar o assento quando ela se sentir preparada, o que pode acontecer só lá pela terceira ou quarta consulta.
''A criança vai conquistar o direito se sentar na cadeira'', explica. Alguns pais, segundo ele, estranham o método, querem orçamento do tratamento na primeira consulta. A maioria, no entanto, torna-se cliente por indicação e já sabe que encontrará um atendimento diferente. ''Costumo brincar dizendo que a gente desacelera a pressa. O importante é estabelecer uma relação de confiança dentro do ritmo de cada um'', diz.


