Lucro ficou menor para o comércio
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de fevereiro de 1998
Carmem Murara 
Quando foi lançada a CPMF, em janeiro de 1997, a expectativa era que indústria e comércio repassassem o custo da contribuição para os produtos. Passado um ano da vigência do imposto, a realidade é outra. A indústria até tentou embutir os valores da CPMF no preço das mercadorias. Já o comércio garante que não conseguiu fazer o mesmo.
A concorrência teria impedido que os comerciantes varejistas repassassem a CPMF nos preços para o consumidor final.
Tivemos que absorver a CPMF e reduzir a nossa margem de lucro, afirma o gerente de compras e do departamento financeiro da loja Ferragens Brenny, Luciano José Brenny. Ele diz que a contribuição não deveria continuar neste ano, pois ela acaba elevando o chamado custo Brasil. Para Brenny, que atua em Curitiba, a CPMF pode encarecer em até 2% o preço final de um produto.
A empresária Márcia Schier, dona das lojas de calçados Casa Schier, em Curitiba, também afirma que a concorrência impediu o repasse da contribuição financeira para o preço dos produtos. Se imbutíssemos todo o imposto no preço das mercadorias, não conseguiríamos vender nada, afirma Márcia. A empresária calcula que mais de 50% das compras feitas na loja são pagas com cheque.
O microempresário César Luiz Gonçalves também reclama do custo da CPMF. Dono da loja de materiais de construção Avenida Sete, ele questiona ainda o destino do dinheiro arrecadado pelo governo federal. Paga-se para quê? Será que esse dinheiro está sendo utilizado de maneira correta? Gonçalves mesmo arrisca uma resposta: Já sabemos que não foi para a saúde.
A cobrança da CPMF fez com que muitos empresários mudassem o hábito de trabalhar com o recebimento e pagamento de contas. Ao invés de descontar no banco todos os cheques recebidos, muitos começaram a passá-los para fornecedores. Um cheque chega a rodar nas mãos de até quatro ou cinco fornecedores, antes de cair no banco, conta o comerciante.
Cascata O diretor geral do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Pedro Milan, diz que a CPMF tem um efeito cascata para o segmento de venda de gasolina e álcool. No nosso setor, a CPMF incide três vezes desde que o produto sai da Petrobrás até chegar no varejo, explica Pedro Milan.
O diretor do sindicato elogia a forma como a contribuição foi criada, porque impede sonegação e ao mesmo tempo não exige nenhuma estrutura de fiscalização. Pedro Milan diz que o imposto deveria substituir outras taxas e não ser apenas mais um tributo no bolso do consumidor.


