O maior sonho do garoto Lucas era ser polícia ou bombeiro. Brincava com seus ‘‘homenzinhos’’, carrinhos e amigos invisíveis no tapete da sala. Era o protetor da lei, dos fracos e oprimidos. Gostava de ser o herói.
No corredor, quando imitava o barulho da sirene do carro policial correndo desesperadamente atrás dos bandidos que haviam acabado de assaltar um banco, seus pais tampavam o ouvido, de tanta emoção e gritaria da cena. Disparavam-se socos, pontapés, trombadas, tiros e claro, o pedido de ‘‘Socorro!!’’ da pobre refém indefesa.
A história de Lucas, o menino que queria ser polícia, só acabava com todos os vilões trancafiados na delegacia, que geralmente era uma caixa de sapatos velha. Vangloriava-se de ver como era eficaz aquela sua polícia. Honesta, firme, preparada e respeitada por todos.
O tempo passou e Lucas cresceu um pouco. Curioso, corria até a rua quando alguma sirene soava lá longe. De olhos arregalados, nem piscava ao ver na sua frente os carros da polícia e dos bombeiros. Eram grandes e bonitos, igual à sua brincadeira na sala.
Mas como toda criança crescida, começou a questionar as coisas. Na TV, na escola e até nas conversas de adulto, Lucas ouvia outras histórias sobre a polícia. Seu sonho de criança começava a se desfazer.
Viu a realidade da polícia, dos bombeiros, dos ladrões, da população, da vida. Leu nas manchetes dos jornais as revoltas da corporação. Soube dos salários baixos, da má preparação dos soldados, da severidade do comando, da corrupção e dos abusos de autoridade de alguns policiais. Lucas então percebeu que seus ‘‘homenzinhos’’ já não eram os mesmos. Seus heróis da infância se perderam na vida real.

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