Loucos por tecnologia
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terça-feira, 27 de abril de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
''Quando saio de casa sem o celular, fico sentindo falta de alguma coisa, é como se estivesse quase sem uma peça de roupa. Dá a impressão de que tem alguém querendo falar com você e você está incomunicável'', diz Schelen D'Almeida, que trabalha com empreendimentos imobiliários.
Relatos como o de Schelen são cada vez mais comuns hoje em dia. Com o uso cada vez mais disseminado de tecnologias, fica mais fácil adquirir uma certa dependência a elas. Telefone celular ou internet já fazem parte da rotina, e é difícil imaginar a vida sem eles.
O problema está quando a dependência desses aparatos vira uma fobia. Nesse caso, o distúrbio tem até nome: nomofobia. O termo vem do inglês ''no mobile'', ou ''sem celular''.
Quem tem dependência aos aparatos tecnológicos geralmente não consegue ficar sem eles nem para ir ao banheiro ou fazer sexo. Também nunca deixa o aparelho sem bateria; fica com o celular na mão para poder atendê-lo rapidamente; nunca esquece o aparelho em casa e, quando isso acontece, volta para buscar; e sente-se muito mal quando o aparelho é perdido, roubado ou fica sem bateria.
A auxiliar administrativa Maíra Fernanda Andrade não consegue ficar sem seu celular por perto. Durante a noite, o aparelho fica ligado embaixo do travesseiro. Como trabalha em um buffet durante os fins de semana e o namorado mora fora da cidade, ela diz que sempre fica à espera de ligações.
Mesmo Felipe Fiani Evans, advogado e estudante de concurso público, que afirma nunca ter tido gosto por aparelhos celulares, hoje não fica sem o seu. ''Meus pais que me obrigaram a ter um para deixá-los mais seguros'', conta. Hoje em dia, se o aparelho for esquecido em casa, ele volta para buscá-lo. ''Tem que voltar para buscar porque senão você acha que alguém vai ligar. E a hora que vê, ninguém ligou'', brinca.
Para que essa dependência seja caracterizada como uma fobia, no entanto, a ausência desses meios de comunicação precisa trazer um prejuízo significativo à vida da pessoa. Nesses casos, a pessoa fica com uma sensação de impotência e pânico, interferindo na vida pessoal e profissional.
Ainda de acordo com especialistas, quem sofre de timidez ou de outros distúrbios, como a síndrome do pânico, está mais propenso a desenvolver a nomofobia .
Relacionamento
A internet não está menos associada a uma dependência que o aparelho celular. Esta, inclusive, é outra fraqueza do advogado Felipe Evans. ''Tem que ter, porque você acaba acostumando. Quando não tem, sente falta, acha que pode chegar um e-mail no último momento.'' Manter-se atualizado nas áreas de concursos públicos e de Direito também é uma necessidade que ele vê na rede mundial de computadores.
Seu amigo, Walter Vale Martins Junior, também estudante de concurso público, concorda. ''Notícias de concursos públicos, tanto de abertura de edital quanto de resultados, vêm tudo por e-mail.''
Além de ficar atento às notícias dessa área, o estudante afirma ainda utilizar muito a web para sites de relacionamento. ''É uma forma de encontrar pessoas e ser encontrado. Se você fica afastado da internet, pode pensar que tem alguém te procurando e não consegue.'' Se viajar, é regra: o hotel precisa ter lan house para acessar a internet pelo menos três vezes por dia. (Com Agência Graffo)


