Loucos por aventura
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quarta-feira, 06 de julho de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Imagine traçar um caminho no mapa e sair por aí se aventurando durante dias, a bordo de uma bicicleta ou então no comando de uma kombi equipada para servir de moradia.
Se para muita gente a vontade em explorar lugares em busca de uma aventura fica apenas no imaginário, para dois londrinenses, ela já tem data marcada. A partir de sábado, o ciclista Richard Lavoisier, 47 anos, se despede da terra vermelha e segue até o Lago Paranoá, em Brasília (DF) de onde irá pedalar até o Rio Paraguay, na capital do Pantanal.
Ele, que é funcionário público, aproveita o período de férias para concretizar o projeto de sua autoria ''Break On Through'', que este ano chega à 6 edição com a jornada ''West Tour''. ''Um casal de amigos me acompanha como equipe de apoio. Eles seguem de carro e carregam meus pertences como roupas, alimentos, água e peças de reposição'', comenta Lavoisier, que espera rodar 1.520 km em um prazo máximo de 10 dias. Em média, serão 150 km por dia.
E, para conseguir um bom desempenho, ele pedala mais de 100km diariamente. ''O difícil é o condicionamento. Você tem que estar preparado para enfrentar todo o tipo de desafio, principalmente em relação ao clima. Já cheguei a pedalar debaixo de um sol forte, onde os termômetros marcavam 43 graus'', conta.
O gosto em pedalar não é recente. Desde pequeno, Lavoisier andava de bicicleta pelas ruas e imaginava conhecer várias regiões da América. ''Já adulto, resolvi montar o projeto de ciclismo de resistência. O desafio me atrai. É uma competição pessoal'', revela.
A ideia se concretizou em 2007, quando ele conheceu o deserto da Patagônia sob rodas. Foram 1.040 km percorridos em 11 dias, em uma viagem árdua. ''Ficamos dois dias totalmente isolados. Passamos por regiões muito perigosas pela presença de lobos selvagens. Eu tive que atravessar o deserto em apenas algumas horas, aproveitando o momento em que eles dormiam. Foi adrenalina pura'', comenta.
Dos lugares por onde Lavoisier atravessa, há sempre algo para trazer na mochila, além das lembranças na memória. ''Gosto de trazer pedras ou coisas que vou encontrando no caminho'', diz o atleta, que também já atravessou 84 cidades do Paraná, passou pelo deserto de Igualamba, fez o Rally de Morte e realizou o Tour de Estepe Platina, na Argentina.
A expectativa para a próxima viagem é percorrer zonas selvagens e preservadas das regiões do Cerrado e do Pantanal, como o Parque Nacional das Emas e a BR-419. ''As pessoas ficam admiradas com esse meu projeto porque elas têm vontade, mas não podem pela disponibilidade, pois muitos têm compromissos que não os permitem sair por aí, viajando. Mas há casos também em que há falta de coragem'', conta o ciclista, que para novembro, já tem outro trajeto em mente. ''Quero atravessar terras argentinas, pedalando mais de 2 mil km'', comenta.


