Com um histórico de dependência química, Carlos (nome fictício), 33 anos, saiu do CMP há poucos meses. Condenado à medida de segurança, após uma tentativa de furto, ele ficou quase dois anos e meio recolhido no complexo. ‘‘Antes eu passei pelo 2º e 4º DP. Depois, Casa de Custódia, onde fiquei quase dois anos para ser transferido. Fui condenado a 1 ano e 11 meses de medida. Como não passei na primeira avaliação, a internação se extendeu por mais um ano.’’, lembra. Atualmente, ele cumpre liberdade vigiada e continua o tratamento com medicações.
  Após cerca de um mês do retorno à vida social, Ricardo (nome fictício), 37, passou os últimos seis no CMP, por conta de uma história parecida de dependência química. ‘‘Sempre roubava para comprar droga. Mas, diferente das outras vezes que fiquei preso no distrito e penitenciária, me mandaram para o Complexo para uma pena de três anos. No total, fiz cinco testes. Só fui passar no último’’, conta ele que, por estar em liberdade vigiada, tem de cumprir uma série de obrigações legais, como não ficar na rua após às 22 horas e se apresentar mensalmente ao Patronato de Londrina.
Drogas X Doença Mental
  Para o professor da UFPR, Osmar Ratzke, a dependência química e de álcool pode ser considerada como uma nova ‘‘classificação’’ de doença mental. ‘‘Certamente, o uso dessas substâncias é um agravante para alguns tipos de distúrbios psicóticos, dependendo do nível de vulnerabilidade. Há estudos que também indicam o desenvolvimento de certos distúrbios pelo uso prolongado dessas substâncias.’’
  A juíza da VEP, Marcia Guimarães, revela que há uma movimentação para a abertura de uma clínica pública em Londrina, voltada a dependentes químicos que tenham cometido crimes. ‘‘A grande maioria dos casos de pequenos roubos e furtos são cometidos por usuários de entorpecentes. Estes, precisam de tratamento médico de reabilitação, que não precisa ser, necessariamente, num hospital de custódia.’’

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