O sonho de ser milionário da noite para o dia tem levado milhares de brasileiros, todas as semanas, a procurar as casas lotéricas. Durante a semana, os prêmios acumulados da Megasena e da Supersena movimentaram as casas de apostas, que receberam jogos até às 17 horas de ontem. Mesmo com o crescimento no volume de apostas por causa dos acumulados, os lotéricos afirmam que há decréscimo na procura pelas loterias oficiais.
O lotérico Nilder Salvador Júnior, 33 anos, da Lotérica Souza Naves, de Londrina, diz que no passado as casas de jogos fechavam as portas às 18 horas com filas de apostadores dentro da loja. Isso deixou de ocorrer, segundo o comerciante. Ele admite que o sistema on-line, implantado pela Caixa Econômica Federal, agilizou o recebimento das apostas. Mas não deixa de defender que o volume caiu nos últimos anos.
Movimento variávelNilder Salvador Júnior: ‘‘Quando há prêmios acumulados, há ligeira melhora na procura por apostas’’‘‘Quando há prêmios acumulados, há ligeira melhora na procura por apostas. Mas o interesse dos apostadores, como era há alguns anos, está muito longe de voltar a acontecer’’, ressalta. Um das causas da queda no volume de apostas, segundo Nilder, é o sistema 0900, implantado pelas televisões, em que o apostador arrisca a sorte pelo telefone, sem sair de casa. ‘‘Ele prefere gastar pelo telefone R$ 3,95 e concorrer uma única vez, do que ir a uma lotérica e apostar em quatro loterias diferentes’’, argumenta.
A grande variedade de jogos também ajuda a pulverizar as apostas. Entre loterias estaduais e federais, as lotéricas trabalham com aproximadamente 15 jogos diferentes, incluindo as modalidades de Tele-Sena e Papa-Tudo, jogos em forma de títulos de capitalização.
O lotérico afirma que os clientes que apostam nas loterias estaduais, por exemplo, são tradicionais. Ou seja, gostam de jogar e sempre procuram registrar pelo menos uma aposta por semana. Já no caso das loterias federais, que dão prêmios de maior valor, os clientes variam. ‘‘Há aqueles fixos, que sempre registram os mesmos números. Mas há aqueles que só jogam quando as loterias estão com o rateio acumulado e podem pagar prêmios milionários’’.
As pequenas loterias, como as raspinhas e as raspadinhas, também possuem o seu apelo popular. Pagando prêmios instantâneos, que vão desde o valor da aposta até um carro zero quilômetro, elas também estão no gosto dos apostadores. Também funcionam com as modalidades federais e estaduais.
As raspinhas federais são vendidas nas casas lotéricas. As estaduais somente nos chalés de apostas de outras loterias. Por determinação da Caixa Econômica Federal, as lotéricas não podem vender esta modalidade de jogo estadual.
No entanto, o sócio da Lotérica Camargo, de Londrina, Sérgio Lopes Alves, garante que este tipo de jogo teve aumento nas vendas com a propaganda da raspinha do Paraná nos meios de comunicação. ‘‘A Serlopar - responsável pelas loterias no Estado - procurou atrair um público com a propaganda e nós fomos beneficiados, pois voltou a ter um aumento nas vendas da raspinha da Caixa’’, comenta.
Ele também acredita que o surgimento de outras loterias, tanto federal quanto estadual, tem prejudicado o movimento nas lotéricas. ‘‘A Caixa deveria ficar com a Megasena, Supersena e Quina, que são as loterias que mais vendem. Ela deveria ficar nos produtos mais rentáveis, como a Mega’’, salienta. Além dos jogos oficiais, as casas lotéricas conseguem manter suas despesas com o recebimentos de tarifas como água, luz, telefone e Sistema Financeiro da Habitação.

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