O Sindicato dos Lotéricos do Paraná (Silopar) está negociando, junto à Caixa Econômica Federal (CEF), a implantação de segurança armada nas casas lotéricas de Londrina. A cidade receberia o projeto-piloto, posteriormente estendido para todo o Estado. A preocupação se justifica: de janeiro a junho deste ano, ocorreram 19 assaltos a lotéricas em Londrina, o maior número registrado entre os municípios paranaenses.
Nos últimos anos, as casas lotéricas assumiram diversos serviços bancários, o que provocou aumento no número de clientes e no volume de dinheiro que circula nesses estabelecimentos. Hoje um cidadão pode pagar contas, quitar prestações habitacionais e sacar uma série de benefícios sem enfrentar filas nas agências bancárias. O problema é que as lotéricas ganharam mais serviços sem a mesma segurança dos bancos, atraindo os criminosos.
Segundo o presidente do Sinlopar, João Miguel Turcatto, as 26 lotéricas londrinenses já investem bastante em proteção, dispondo de vigias, cofres boca-de-lobo, circuito interno de câmeras e transporte de valores em carro-forte. As despesas mensais de cada loja com segurança giram em torno de R$ 1 mil, aponta Turcatto. ''Estamos controlando roubos pequenos, mas queremos segurança padronizada, igual à da Caixa, para evitar grandes assaltos'', alega.
A ocorrência mais grave do ano em lotéricas de Londrina foi registrada no final de agosto. Um estabelecimento localizado na Área Central de Londrina foi palco de um tiroteio em pleno horário comercial. Dois ladrões armados com pistolas pretendiam assaltar a lotérica, quando reconheceram um policial que estava na loja e iniciaram a troca de tiros. O investigador-chefe do setor de furtos e roubos da 10 Subdivisão Policial (SDP) foi gravemente ferido e um dos bandidos morreu no local. Uma funcionária sofreu ferimentos leves.
Após esse episódio, diz o presidente do Sinlopar, a Polícia Militar (PM) passou a fazer policiamento ostensivo em torno de lotéricas. Desde então, não houve nenhum outro crime. Alguns clientes, contudo, ficaram temerosos. ''Depois daquele caso dá um pouco de medo vir à lotérica. A gente fica esperta, vendo se não tem ninguém suspeito. Acho que deveria ter mais segurança'', afirma a dona-de-casa Maria Lúcia Pereira, 39. Para o colorista Dhiógenes Gomes dos Santos, 22, as lotéricas estão sujeitas à violência tanto quanto qualquer local. ''Não me preocupo muito. Ainda prefiro pagar contas aqui do que enfrentar fila de banco''.
®MDNM¯De acordo com Turcatto, as 9,5 mil lotéricas do País movimentam cerca de R$ 130 milhões por dia em transações financeiras. Mas ele ressalta que esse número não corresponde a somas disponíveis nas lotéricas. ''Entra muito dinheiro, mas também sai muito, na forma de benefícios e prêmios. Chega a faltar dinheiro nas lojas'', garante.

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