Lotéricas acabam com fila diferenciada
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quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Já faz tempo que as casas lotéricas deixaram de ser um lugar exclusivo para quem quer tentar a sorte nos jogos de azar mantidos pelo governo. Atualmente, esses estabelecimentos funcionam como um posto avançado das agências bancárias, onde é possível desde pagar contas até fazer depósitos e sacar dinheiro. Porém, um costume tradicional do brasileiro está fazendo com que as lotéricas mudem a forma de atendimento, prejudicando justamente quem mais precisa ser favorecido.
O velho costume de dar um ''jeitinho'', também conhecido como a ''lei do Gérson'', que define a mania do brasileiro de sempre levar vantagem, foi a forma que algumas empresas encontraram para driblar as filas de bancos e lotéricas: elas passaram a contratar idosos em vez de jovens para o cargo de office-boy. Assim, o trabalho fica mais ágil, uma vez que os maiores de 60 anos têm atendimento preferencial garantido por lei e não precisam enfrentar as filas comuns.
Percebendo a 'malandragem', as lotéricas extinguiram as filas específicas. Elas garantem, no entanto, que continuam a prestar o atendimento diferenciado para quem tem direito. Mas isso não tem ocorrido sempre, pelo menos de acordo com o presidente da Associação dos Aposentados de Londrina, Pedro Sartori, 71 anos. Ele pretende encaminhar um ofício para a Secretaria Municipal do Idoso cobrando providências contra as lotéricas.
Mesmo defendendo o direito dos aposentados de trabalhar, o presidente da Associação criticou a prática de algumas empresas de contratar idosos para o serviço de office-boy; nestes casos, ele entende que os idosos não têm o direito de ser atendidos antes dos outros clientes. ''Há casos de empresas que usam os idosos para fazer os serviços bancários só para eles não precisarem enfrentar fila. Dependendo da empresa, até o pai do dono é usado para fazer esse tipo de serviço'', lamentou.
Por outro lado, o Sindicato dos Empresários Lotéricos do Estado do Paraná garante que as empresas estão sendo orientadas para garantir o atendimento prioritário aos idosos, mesmo sem a fila especial. ''O problema é que muitos idosos não querem o atendimento prioritário, se sentem constrangidos e preferem ficar na fila. Mas os lotéricos foram orientados para atender os idosos com prioridade'', afirmou o vice-presidente do sindicato, João Miguel Turcatto.
Ele confirmou que a legislação determina que o idoso tem preferência, o que não inclui apostas e serviços para terceiros. Uma placa nos estabelecimentos indica que a prioridade, além dos idosos, abrange deficientes físicos, gestantes e mães que estão amamentando ou com criança de colo. Turcatto salientou que os idosos podem e devem cobrar o atendimento prioritário nas lotéricas.
De acordo com o Procon, a legislação determina as prioridades, mas não indica como tem de ser a prática. Não existe a obrigatoriedade de um guichê específico para atender os idosos; a única obrigação é prestar o serviço diferenciado, independentemente se com fila especial ou não. Portanto, mesmo se estiverem fora da fila, os idosos devem ser passados na frente dos outros clientes.


