Lotação fecha pronto-socorro do HU
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Silvana Leão 
O Hospital Universitário (HU) de Londrina voltou a enfrentar, nos últimos dias, problemas de superlotação no pronto-socorro, que é dividido em cinco áreas de atuação (médica, cirúrgica, pediátrica, obstétrica e ortopédica). Por este motivo, o atendimento no pronto-socorro médico está temporariamente suspenso. Não há mais lugar para atender os pacientes.
Ontem de manhã, a situação era crítica: pacientes espalhados em macas pelo corredor, boxes que deveriam ser usados para atendimento médico ocupados por pacientes internados, doentes acomodados em cadeiras de rodas. Segundo o diretor clínico do HU, Sylvio Villare Filho, o pronto-socorro tem 36 vagas e ontem encontrava-se com um excedente de 19 pacientes. Ele lembrou que na semana passada, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, que tem capacidade para sete pacientes, estava com 10.
Não dá para ver, mas a gente sente que a cama é dura, queixava-se a paciente Carmem Motta Moya Rueda, de 85 anos, cega. Ela foi internada no último sábado, apresentando quadro de pneumonia e diabetes, e até ontem encontrava-se numa maca. Segundo a irmã, Ângela Motta Peralta, a paciente tem se queixado muito do desconforto.
A dona de casa Elza Honna havia passado a noite em claro ao lado do filho, Paulo Marcelo, de 15 anos, tentando acomodá-lo na cama improvisada no frio corredor do hospital. O garoto sofre de distrofia muscular progressiva, não anda há seis anos e foi internado anteontem com cólicas abdominais e vômito. Como ele não estica as pernas, eu fico o tempo todo calçando-as, para que ele não se machuque nas grades da maca, explica a mãe. Ela diz que o filho pede o tempo para mudá-lo de posição, o que não acontece em casa.
Situações como estas têm acontecido com frequência no hospital. A demanda é muito grande, afirmou Sylvio Villare, explicando que a instituição atende, em média, 300 pacientes por dia, incluídos aqueles que vêm de outros municípios e até outros Estados. Só no ano passado, o HU atendeu aproximadamente 200 mil pacientes. Este é o único hospital do município que atende especificamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O acúmulo de pacientes e aumento crescente na procura pelos hospitais públicos estão sendo causados, na opinião do médico, por fatores como a queda do poder aquisitivo da população e o fechamento de vários hospitais em todo o País. Nós já prevíamos estas dificuldades há algum tempo, por isso elaboramos um projeto de reforma e ampliação do hospital, contemplado no orçamento do Estado em 1996. A verba, de R$ 30 milhões, até agora não foi repassada.
Diante da situação, o diretor-clínico do HU informa que a administração do hospital está elaborando um projeto alternativo, que tentará apresentar ao Governo dentro de 60 dias, para elevar os atuais 294 leitos da instituição para 450, distribuídos nas várias especialidades e unidades críticas, como pronto-socorro e UTI. Este novo projeto está sendo orçado em R$ 7 milhões.
De acordo com Sylvio Villare Filho, de 70% a 80% dos casos que chegam ao pronto-socorro poderiam estar sendo atendidos em unidades periféricas (postos de saúde) ou hospitais de nível secundário (como os Hospitais da Zona Norte e Zona Sul). Com isso, corremos o risco de ter que deixar de atender casos mais graves, alerta o médico. A expectativa, segundo ele, é que com a entrada em funcionamento do Pronto Atendimento Infantil (PAI), a demanda nas alas pediátricas diminua nos hospitais. Apesar da superlotação, o diretor-clínico do HU explicou que todos os casos de urgência e emergência que chegarem à instituição serão atendidos.


