O problema de superlotação nos distritos policiais de Londrina atingiu a mãe Fernanda Lima que, após ganhar um filho no Hospital Universitário, teve que ficar separada da criança, mesmo estando em condições de amamentá-la. O bebê ficou aos cuidados da avó materna após o parto, ocorrido na sexta-feira.
O delegado do 2º Distrito Policial, Antônio Zuba de Oliva, tentou colocar a criança junto com a mãe mas disse que não encontrou um local adequado. ‘‘Sei que é desumano, mas prefiro não deixar a criança correr o risco de ficar doente por causa da promiscuidade, falta de higiene e segurança das celas.’’
No 2º DP, onde Fernanda Lima está presa por roubo, existem 34 vagas. No entanto, estão alojados 31 homens e 38 mulheres. O caso foi levado ao conhecimento do juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor dos presídios de Londrina, Roberto do Valle, e ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, que estão ajudando a conseguir um local para o bebê ficar com a mãe. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina, nestes casos, que o Estado deve buscar atender os interesses da criança.
Os 3º e 4º DPs também estão superlotados, impossibilitando a transferência de Fernanda e o bebê. A situação nos distritos se tornou ainda mais caótica desde a desativação da Cadeia Pública de Londrina, há três anos, quando os presos provisórios (esperando benefícios e julgamentos) foram transferidos para os DPs.
Em março, o juiz Roberto do Valle interditou o 5º DP, por causa da falta de segurança, más condições de higiene e problemas estruturais do prédio. Atualmente estão sendo feitas reformas naquele distrito. Também o 2º DP está sendo reformado. O delegado Zuba não descarta a hipótese de a mãe ficar em prisão domiciliar para amamentar o filho.

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