Longe dos olhos, perto do coração
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Eles estudam, jogam, assistem a filmes, ouvem música e se divertem atrás da tela do computador. Convictos de que as tecnologias digitais facilitam o contato pessoal, também paqueram e iniciam namoros pela internet. A constatação diz respeito a adolescentes entre 12 e 17 anos e faz parte de uma pesquisa realizada com 128 mil usuários da comunidade virtual Habbo, destinada a atender essa faixa etária. Mas psicóloga alerta para um risco deste comportamento: a internet pode se transformar em problema quando se torna o único meio de comunicação utilizado pelo adolescente.
A pesquisa, realizada com jovens de 33 países - inclusive Brasil - indica que a tecnologia está facilitando a paquera e aproximando as pessoas. De acordo com 76% dos entrevistados, a era digital não matou o romantismo, apenas trouxe novas possibilidades. Mas no Brasil, onde foram entrevistados quase 22 mil pessoas, 37% preferem a paquera ''olho no olho''. Nascidos na era digital, 88% dos adolescentes brasileiros pesquisados afirmam já ter tido pelo menos um namorado ou namorada pela internet.
Alunos do ensino médio de uma escola pública de Londrina ouvidos pela reportagem confirmam as constatações do estudo. Conectados, eles usam a internet para conhecer melhor os pretendentes, na maioria das vezes pessoas conhecidas, mas com quem não têm muita aproximação no mundo real.
Gabriela, 15 anos, namora há oito meses e garante que o romance só se concretizou com o empurrãozinho tecnológico. ''Éramos só amigos, aí começamos a conversar pelo MSN, nos conhecemos melhor e estamos namorando'', conta a garota, que inclusive foi ''pedida em namoro'' virtualmente.
As amigas Jéssica e Marina, de 14 anos, têm paqueras em outros países. ''Estou conversando com um menino que conheci na escola e agora mora em Portugal'', conta Jéssica, que por enquanto mantém o relacionamento apenas no plano virtual. Marina conheceu um garoto da Inglaterra através de uma amiga que é prima do pretendente. ''Mês que vem ele estará no Brasil e vamos nos conhecer'', espera ela. ''Minha mãe sempre me fala para não conversar com estranhos.''
Felipe, 16, acredita que a internet ajuda a fazer contatos e, por isso, facilita relacionamentos. ''Mas também oferece riscos. A gente nem sempre sabe quem está do outro lado'', diz o rapaz, que além de utilizar MSN e Orkut, ainda frequenta salas de bate papo.
Elder, de 15 anos, começou a namorar sem a ajuda da internet, mas costuma se comunicar com a namorada por meios eletrônicos. Ele concorda que a tecnologia facilita os contatos, mas também vê alguns incovenientes na rede. ''Minha namorada tem ciúmes dos recados do orkut.''


