Longe da tecnologia por opção
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Depois da declaração do ator Antônio Fagundes, que diz se considerar um ''analfabyte'' por ser avesso às novas tecnologias, o termo utilizado ganhou grande repercussão. Afinal, na novela em que está atuando, ''Tempos Modernos'' Fagundes é um empresário, cujo edifício que é proprietário possui recursos tecnológicos super avançados, inclusive um computador que fala.
Em sua revelação antes da estreia da novela, ele argumentou que não possui qualquer ferramenta de comunicação virtual ou de relacionamento como e-mail, MSN ou Orkut. Sua defesa se baseia no argumento de que ele ainda tem muitos livros para ler.
Uma coisa é certa, não ter interação com meios eletrônicos e de informática hoje não é muito comum e causa, num primeiro momento, certa estranheza. Ainda que o Brasil seja um país onde a exclusão digital seja gritante em função da dificuldade de acesso à esse tipo de equipamento, há quem prefira abster-se e não usufruir dos meios tecnológicos por opção. E o melhor: vivem tranquilamente.
Assim como a doutora em linguística e docente de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Esther Gomes de Oliveira, que até hoje prefere ler os artigos dos alunos em papel, em vez da tela do computador.
''Tenho muitos orientandos no ano. Em 2009 foram 18 para se ter uma ideia. Se eu fosse ler tudo o que me mandam no computador, ficaria o dia todo em frente à tela; é muito desgastante'', conta. Para ela, que leciona há 30 anos, mais que apenas corrigir os trabalhos, é preciso explicar o que o aluno errou. ''Não adiantaria apenas eu apontar o erro. Acredito que o melhor é mostrar os motivos e orientar. Faço isso com anotações para depois conversar com os alunos. E todos aceitam esse método'', observa a professora.
Esther até possui conta de e-mail, mas afirma abri-la no máximo duas vezes por semana. ''Não vou chegar em casa depois de trabalhar o dia todo e ficar na frente do computador olhando mensagens. Se for algo urgente, tem que me ligar avisando.''
A recíproca é verdadeira. Quando precisa marcar alguma reunião, prefere usar o telefone a escrever para todos. ''Ligo para cada um e, assim, tenho a certeza que a pessoa está ciente. Não há perigo de não receber a mensagem.''
Para a professora, as crianças e adolescentes, estão criando um estresse desnecessário. ''Em nossa vida já temos uma série de preocupações obrigatórias. Não é possível ter um sono tranquilo com o computador ligado no quarto ou com o celular do lado da cama. A modernidade é ótima e a tecnologia foi feita para nos servir, e não para vivermos como escravos dela. Meu sossego, minha saúde e tranquilidade valem mais. Prefiro pegar um livro novo e sentir o cheiro das folhas'', pontua.
Se o uso do computador não faz parte de suas atividades diárias, o celular também entra na lista. A professora diz que até possui celular, mas dificilmente está ligado. ''Se não está na bolsa, está em alguma gaveta. Mas é fácil me encontrar; se não estou no trabalho, estou em casa. Vejo pessoas que andam com o celular pendurado no pescoço; isso é exagero. Para mim, só é necessário para um pediatra obstetra ou se tem alguém doente na família.''
Esporte
Se entre a população na faixa dos 40 anos já é difícil encontrar alguém que não use computador, imagine um adolescente, que nasceu na era da tecnologia. Pois a relação de Júlio Neves, 16 anos, com a máquina é assim: distante. ''Não vejo graça em mexer no computador. Até comecei um curso de informática, mas parei no meio, porque achava tudo muito chato'', revela o jovem.
Além de não gostar de computador, ele não possui o equipamento em casa. ''Por enquanto ainda não tive necessidade de ter um computador. Quando preciso fazer algum trabalho da escola, por exemplo, escrevo num papel e peço para um amigo digitar'', conta. Ele até poderia frequentar lan houses, mas também não gosta. ''Meus amigos me chamam, mas sempre recuso.''
A única coisa que revela usar o computador é para passar músicas para o aparelho de MP3. ''Mas isso de vez em quando. O resto não uso para nada: e-mail, msn, orkut ou jogos de rede. Conheço tudo isso, mas não tenho interesse. Acho tudo muito sem graça.'' O que ele gosta mesmo é de praticar esportes. ''Assim que deixei o curso de informática, comecei a praticar basquete. Isso sim eu gosto'', comenta.


