Na rua, 2,1 graus centígrados. Dentro de casa, em torno de 10 graus. Ontem, no dia mais frio do ano, o morador de Curitiba percebeu o que os arquitetos já sabem - os imóveis da cidade não foram construídos para isolar as baixas temperaturas de inverno ou altas de verão. ‘‘Não existe o hábito na arquitetura e nem na construção civil em se preocupar com conforto térmico’’, admitiu a chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica, Silvane Muller. Essa constatação é fácil de ser comprovada, até mesmo na sala de Silvane, na PUC, onde a professora trabalha com capa e luva.
‘‘Todos os locais públicos apresentam este problema’’, afirma Silvane, que tem apoio de seu colega da Universidade Federal do Paraná, Aloíso Leoni Schmid. O professor escreveu um artigo afirmando que os projetos arquitetônicos estão ficando cada vez mais distantes da realidade física. ‘‘Locais como o Teatro Guaíra, a Ópera de Arame e a própria universidade demonstram cuidado estético, mas mostram que não existe preocupação quanto às grandes variações climáticas’’, ressalta Silvane. Ela afirma que se agrava com a permissão de contruções sem a ventilação e insolação adequada. Ela exemplifica que bairros como Champagnat e Batel, concentram grande número de edifícios.
Albari RosaFriaO estudante Ilton Carvalho diz que programas de lazer, no inverno, são uma ‘‘geladeira’’‘‘Curitiba precisa instalar sistemas de calefação em suas casas e instituições’’, avalia o aposentado Alfredo Olazabal, que estava encorujado na Biblioteca Pública lendo um jornal. Para ele, que nasceu nas cordilheiras peruanas, o frio da cidade é intenso. ‘‘Quem não tem o corpo preparado para isto pode ficar doente’’, diz. Também encolhido pela baixa temperatura, o estudante Ilton Carvalho reclama que as áreas de lazer não tem estrutura para enfrentar as variações de temperatura. ‘‘Ir ver peças no domingo de manhã no Guaíra ou à noite na Ópera de Arame é certeza de entrar numa geladeira’’, reclama o rapaz.
A diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Mônica Rischbieter, concorda que o espectador passa frio no inverno. Mas ela avisa que este problema vai ser resolvido no segundo semestre, quando será instalado um novo sistema de ar-condicionado, há um mês do fim da estação. ‘‘Até agosto, serão investidos R$ 800 mil na implantação de um novo aparelho’’, informa Mônica.
A arquiteta Silvane diz que a não utilização de materiais isolantes pode ser atribuída às construtoras, resistentes em desembolsar mais recursos. ‘‘Mas o consumidor ainda não tomou consciência da necessidade de mais este conforto’’, afirma.
Enquanto isto não acontece, o mais fácil é pegar mais cobertores e se preparar para o frio. De acordo com o metereologista Vilson Souza Ferreira, a temperatura deve cair mais nas próximas 48 horas. ‘‘Amanhã (hoje), deve gear nas regiões sul, sudeste e nas cidades vizinhas de Curitiba’’, avisa, acrescentando que até o fim do junho o frio deve permanecer intenso na cidade.

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