Ademar PetryPaliativoCarro-pipa atende moradores de Rio do Salto, distrito de Cascavel: só 58 mm de chuva em abril e maio Cidades do Oeste do Estado estão dependendo de caminhões-pipa para receber água potável e o risco de racionamento ronda outras localidades, por causa da maior estiagem nos últimos 8 anos. A Sanepar está alertando para que o consumo de água não seja superior à possibilidade dos mananciais. Depois de várias semanas, ontem ocorreram chuvas leves e esparsas em algumas localidades da região, mas o nível dos reservatórios não foi alterado.
Uma das situações mais críticas é registrada em Matelândia (61 quilômetros a oeste de Cascavel), onde a prefeitura decretou estado de emergência porque o Rio Barreirão secou. Trata-se da única fonte de abastecimento da cidade, que tem 10 mil habitantes. A população está sendo atendida com cinco caminhões e uma carreta, que transportam água da cidade de Medianeira. Os carros-pipa trabalham 24 horas por dia, distribuindo cerca de 600 mil litros de água, o mínimo necessário para atender os moradores.
Em Campo Bonito (85 quilômetros a leste de Cascavel), o único poço artesiano reduziu a vazão e diariamente há cortes no abastecimento. Na vizinha cidade de Guaraniaçu, o nível do Rio Fivela baixou consideravelmente e em poucos dias a distribuição de água poderá ser racionada.
Outra situação difícil é registrada em Nova Prata do Iguaçu (78 km ao norte de Francisco Beltrão), onde o Rio Santa Cruz secou e o abastecimento é feito através de uma captação alternativa no Rio Cotejipe.
Em Cascavel, o rio do mesmo nome oferta pouco mais de 2 mil metros cúbicos de água por hora. Em condições normais, oferece 3,9 mil metros cúbicos. Por isso, a Sanepar está utilizando um manancial reserva, o Rio Peroba, de onde extrai mil metros cúbicos. No distrito de Rio do Salto, a vazão do poço artesiano que abastece os moradores foi reduzida pela metade, obrigando a Sanepar a transportar diariamente 100 mil litros de água de Cascavel até a localidade.
O gerente regional da Sanepar, Afonso Marangoni, diz que, por enquanto, ainda está sendo possível manter a oferta de água em Cascavel, onde há 50.651 domicílios consumidores. Mas se a população não racionalizar o uso da água, pode ser inevitável o racionamento. A recomendação básica é evitar lavar carros ou calçadas, banhos demorados e rega de hortas. A chuva leve de ontem serviu apenas para conter a poeira e diminuir um pouco o consumo de água, já que a temperatura baixou.
Na cooperativa Coopavel, onde é feito o acompanhamento das precipitações pluviométricas, o agrônomo Rogério Piffer informou que a chuva, a primeira do mês, foi ‘‘insignificante’’. Estatísticas anteriores indicam a gravidade da situação atual. Nos meses de abril e maio, foram apenas 58 milímetros de precipitações. Em 96, nos mesmos meses, o total foi de 217 milímetros; em 95 foram 214, e no ano anterior, 548 milímetros de chuva em abril e maio.

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