Longa espera pelo documento do carro
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de dezembro de 1996
Adriana de Cunto 
Filas e demora no atendimento. Quem procurou ontem a 12ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), em Londrina, para requerer algum tipo de serviço, precisou de muita paciência, principalmente porque teve que esperar, em média, de duas a três horas.
O esforço dos funcionários não foi suficiente para acalmar os usuários que recorreram ao órgão ontem pela manhã. A maioria ficou insatisfeita com o atendimento. Adilson, 31 anos - ele não quis dar o sobrenome porque estava em horário de trabalho, matando o trampo -, chegou às 7 horas e até 11 horas ainda não tinha sido atendido. Ontem era o último dia para ele fazer a transferência do carro. Isto aqui é uma vergonha.
Só tem duas pessoas para atender toda esta gente?, dizia a comerciante Elisa Ueno, 35 anos. Ela também chegou às 7 horas e às 11 horas só tinha conseguido passar por uma das três filas que teria de enfrentar na Ciretran. A dona-de-casa Sílvia Mendes, 30 anos, chegou na Ciretran por volta das 11 horas para renovar a carteira. Havia 60 pessoas na frente. Ela se conformava: Vou ter que esperar. Quero ver se saio daqui lá pelas duas da tarde.
O problema é comum em dezembro, diz o chefe da Ciretran, Arlindo dos Santos Barbosa, porque nesta época do ano o volume de transferência e compra de veículos novos é maior, além de aumentar também os pedidos para novas carteiras de habilitação.
Só que este ano o problema se agravou: a Ciretran de Londrina está trabalhando com déficit de, pelo menos, 10 funcionários, diz Arlindo Barbosa. A gente tem 30 funcionários e precisava de, no mínimo, 40.
Barbosa diz que a Ciretran está recebendo, diariamente, 600 processos de circulação de veículo (venda, troca, compra de carro novo). São também 200 pedidos para novas carteiras de habilitação. Ele explica que o atendimento está sendo limitado. Por isso, o Detran distribui senhas para as pessoas que estão na fila - 60 para legalização de veículos e 20 para retirada de novas carteiras de habilitação. Assim, quem quiser garantir o atendimento tem que chegar cedo na fila. Os demais processos são enviados por despachantes.
O chefe da Ciretran afirma que o único serviço que não tem atendimento limitado é renovação de carteira de habilitação. É que, se a carteira vence, a pessoa não pode mais circular, justifica Barbosa. Já quem não tem carteira ainda, pode ficar mais um dia sem tirar. Quanto à transferência, o proprietário tem a possibilidade de procurar um despachante.
Arlindo Barbosa acredita que, não fosse a falta de funcionários, o serviço poderia ser agilizado. Ele garante que os funcionários estão trabalhando além do horário para atender toda a demanda - sem receber hora extra. Os meus funcionários estão trabalhando a mais, na base da amizade, e o salário deles é vergonhoso, diz o chefe da Ciretran. Segundo ele, o salário varia de R$ 180 a R$ 300.


