Londrinenses vão mal em testes para direção
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Londrinenses que estão tentando tirar Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reclamam das dificuldades encontradas nas avaliações realizadas pela Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Os índices se estendem para outras regiões do Estado, onde a reprovação nas principais cidades do interior chegam perto dos 50%.
Dados apurados entre janeiro e julho deste ano nos quatro principais pólos do Paraná mostraram que Londrina lidera o índice de reprovação, tanto nos exames práticos (média de 47,5%) quanto nos teóricos (35%). Maringá vem em seguida com 43% de reprovados nas provas práticas e 25% nas teóricas (veja quadro). Os dados foram levantados entre janeiro e julho deste ano e apresentam picos de até 49% de reprovação (abril e maio) em Londrina.
Para alguns candidatos, a existência de uma pista específica para motos no pátio interno da Ciretran e o rigor dos examinadores fazem com que os testes se tornem mais difíceis que em outras cidades. Para o chefe da Ciretran de Londrina, Rogério de Oliveira, os números comprovam apenas a ''seriedade do trabalho'' executado no local e também o ''trânsito complexo'' da cidade. ''Estamos apenas seguindo as exigências da lei. Além de termos uma estrutura de avaliação prática melhor, penso que os índices sobem um pouco pelo fato de termos um trânsito agitado. Não podemos comparar Londrina com uma cidade que não tem nem mesmo semáforos'', explicou Oliveira.
O professor Newton Felício, 37, não vê as vantagens da estrutura existente na cidade. Ele está tentando tirar a CDH para motos pela segunda vez e afirma que as instalações resultam em testes desiguais em relação a outras Ciretrans. ''Londrina é a única da região que possui pista interna para motos. Se está prevista em lei, por que as outras cidades não possuem tal estrutura?'', questionou Felício, lembrando que a pista parece ''um parque de diversões'' porque não apresenta condições reais de trânsito.
Para o presidente da Associação de Centros de Formação de Condutores de Londrina, Herivelton Carbonera, os entraves não são da Ciretran ou das auto-escolas, mas sim da legislação. ''A lei não permite que o aluno saia de moto porque o risco de acidente é muito grande. É preciso repensar certos temas, como aconteceu em alguns Estados'', comentou Carbonera, destacando que portarias estaduais têm exigido que os candidatos tenham primeiro experiência em automóveis para depois partirem para a aquisição da CDH de moto. São Paulo e Rio Grande do Sul são exemplos disso.
Sobre a possibilidade de haver má qualidade no ensino dos centros de formação, o chefe da Ciretran Londrina informou que a fiscalização é feita pela Controladoria Regional de Trânsito. ''Já houve suspensão de serviços na cidade, mas as atuais 30 escolas não apresentam irregularidades. Tanto elas quanto às 91 Ciretrans do Estado são acompanhadas pela CRT'', afirmou Oliveira.
''Passei nos testes para carro e moto na primeira e não senti muita dificuldade. Acho que é preciso atenção na hora das provas. Quanto as novas exigências, acho bom porque o motorista tem que saber mais sobre a legislação. Só acho que o teste de moto poderia ser feito fora, para se ter mais noção do trânsito'', disse Eduardo Abra Pereira, 18 anos, estudante.


