Segunda-feira na casa de dona Ortalina Maria de Jesus é dia de lavar roupa. Ontem, no entanto, os uniformes do filho, que é mecânico, ficaram amontoados nos baldes. O fornecimento de água no Parque Bom Retiro e outros bairros das regiões Central e Norte foi interrompido após o rompimento de uma adutora, na esquina da Avenida Duque de Caxias com a Rua Moçambique. Cerca de 30 mil pessoas ficaram sem água.
A manutenção preventiva e corretiva da rede de distribuição de água provoca uma média de quatro interrupções de fornecimento por mês em Londrina. Os números, fornecidos pela Sanepar, incluem os pedidos de desligamento para obras de terceiros, como Copel e CMTU.
Ortalina conta que o vazamento foi tão grande que chegou a ''inundar'' a ponte próxima do Centro Social Urbano da Vila Portuguesa. ''Quem tinha que atravessar passava correndo para não ser molhado com a água espirrada pelos carros'', relatou a dona-de-casa.
O incidente ocorreu no mesmo ponto onde na quinta-feira passada foi realizada a obra de interligação. Exatamente na frente da loja de roupas usadas da comerciante Níncia Aparecida Siqueira Brasil. Sem reservatório em casa, ela precisou comprar água para beber durante a tarde e esperava a normalização no abastecimento para o final do dia.
O corte no fornecimento não impediu que os filho de 8 e 11 anos fossem para a escola. ''Com um pouquinho de água que tinha eles lavaram os pés antes de ir'', contou. Recém-chegada de Curitiba, ela ficou espantada com o que classificou de ''desperdício.'' ''Lá estão sempre falando de economia. Aqui, já vi um monte de gente lavando a rua com mangueira. Usam um monte de água para lavar só um pouquinho de roupa na máquina'', comparou.
A interrupção também prejudicou o trabalho de uma oficina vizinha. O mecânico Rogério Luís comentou que dois carros estavam na fila para pintura, mas que o serviço estava parado, com risco de atraso na entrega aos clientes. O conserto da adutora terminou por volta das 16 horas. A previsão era de que o fornecimento fosse restabelecido duas horas depois.
Nem todos os serviços executados pela Sanepar exigem interrupção no fornecimento. Segundo a empresa, são feitos de 30 a 40 intervenções por mês sem prejudicar o abastecimento. Para o gerente Sérgio Bahls, o crescimento da cidade justifica a quantidade de interrupções no fornecimento. E o cronograma para 2007 e 2008 prevê readequações suficientes, segundo ele, para dar conta da crescente demanda por água por pelo menos dez anos.
''Até o ano que vem faremos diversas obras para aumentar a capacidade de fornecimento de água'', explica Bahls. A empresa explica que, além das paradas programadas para a realização de obras, também ocorrem interrupções de emergência.
De acordo com Bahls, a empresa agenda as obras preferencialmente para os finais de semana e para os horários de menor consumo, com o objetivo de ''reduzir os transtornos para os usuários.''
As interrupções em bairros com hospitais ou carceragens exigem a contratação de caminhões-pipa para manter o fornecimento, desde que solicitada por esses órgãos. O agendamento das reformas leva em conta, ainda, a ocorrência de cortes de emergência.
Na Unidade Básica de Saúde do Centro Social Urbano, na Vila Portuguesa, as duas caixas d'água de mil litros garantem o fornecimento, mesmo com as obras na rede. Para a enfermeira Eleide Pedrini, coordenadora da unidade, o corte inviabilizaria o funcionamento do posto de saúde. ''Como não abrimos no feriado, não tivemos problema. Mas sem água ficaria impossível trabalhar''.

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