Londrinenses se mobilizam pela luta antimanicomial
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sábado, 15 de maio de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Inclusão é a palavra-chave para o desafio da reforma psiquátrica no Brasil. Ontem, o médico psiquiatra Paulo Amarante, docente da Escola Nacional de Saúde Pública no Rio de Janeiro, esteve em Londrina e falou sobre o assunto durante o encerramento do 11º Encontro Paranaense de Psicologia. Nesta semana, vários eventos em Londrina marcam a 8 Semana de Luta Antimanicomial e Saúde Mental da Associação Londrinense de Saúde Mental (ALSM).
A luta pela reforma psiquiátrica, segundo o médico, começou com a redemocratização no período pós-ditadura. ''Jovens médicos começaram a questionar aquele modelo de tratamento. Era um grande impacto entrar nos hospitais psiquiátricos da década de 70 em que a situação dos pacientes era de violência, abandono e descaso'', explicou. O modelo, segundo o médico, pregava o isolamento dos doentes e tratamentos de choque, ''até como uma forma de punir''.
Hoje, a luta é por programas que garantam o direito à cidadania dos chamados ''doentes mentais''. Programas que permitam a convivência em sociedade, como o ''De Volta para Casa'', que assegura ajuda financeira para o retorno ao lar de pacientes com história de longas internações, e o ''Residência Terapêutica'', que retira moradores de hospitais e os coloca em residências assistidas. ''Hoje são mais de 100 programas com ex-internos no Brasil'', disse.
Mas, segundo ele, ainda é um número pequeno frente aos mais de 60 mil leitos psiquiátricos ainda existentes no Brasil. ''É um número muito expressivo de leitos psiquiátricos, tanto do ponto de vista do impacto social, que deixa essas pessoas isoladas e forma moradores ''crônicos'' dos hospitais, quanto do ponto de vista do impacto financeiro, pois o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta hoje R$ 30,00 por pessoa por dia com esses hospitais'', disse.
Nessa semana, a ALSM promove debates sobre o assunto e pretende informar a população sobre um outro desafio o cultural, pois, a sociedade também tem de mudar sua forma de ver o doente mental. Na próxima terça-feira, no Calçadão, haverá uma exposição mostrando como funcionam os serviços de sáude mental em Londrina, e a partir do dia 21, ocorrem palestras sobre reforma psiquiátrica, no Sesc da Rua Fernando de Noronha. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente. Mais informações: (43) 3324-1225.


