Londrinenses repetem os testes de Aids
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quarta-feira, 28 de janeiro de 1998
Adriana De Cunto 
Mário CésarPreocupaçãoO psicólogo Tófole: Ideal é repetir testes soropositivosO Centro de Orientação e Apoio Sorológico (Coas) de Londrina tem sido procurado por pessoas que desejam repetir o teste de Aids preocupadas com um possível erro no diagnóstico. A preocupação surgiu depois que a imprensa do Rio de Janeiro divulgou o caso de uma artista plástica que inicialmente foi diagnosticada como soropositiva quando na verdade não era portadora do vírus HIV (que transmite a Aids). O psicólogo e orientador do Coas, Ronaldo César Tófole, conta que são pessoas que apresentaram resultado negativo e que mesmo assim temem um erro no exame.
Ele acredita que não há motivo para alarme e diz que estas pessoas estão sendo avaliadas e recebendo orientações para evitar a doença. Para aquelas que estão muito angustiadas e nervosas, estamos repetindo o teste, comenta. Só anteontem o Coas recebeu três destes casos.
Ronaldo Tófole lembra que a portaria do Ministério da Saúde, do último dia 12 de janeiro, obrigando os laboratórios a refazer testes de Aids quando o primeiro resultado for positivo, está sendo cumprido há três anos pelos serviços públicos de Londrina. O Coas, o Centro de Referência da 17ª Regional de Saúde e o Hospital Universitário adotavam o procedimento mesmo quando se tratava apenas de uma recomendação do MS, ressalta Tófole.
Ele explica que o primeiro teste realizado para identificar o HIV é o chamado Elisa, que tem margem de erro de 0,1%. Se o resultado for positivo, repete-se novamente o Elisa e ainda é preciso fazer um teste de comprovação, chamado Imunofluorescência Indireta. Há opção ainda de outro teste, o Western Bloot. Para se confirmar o diagnóstico do HIV é preciso ter três exames com resultados positivos, explica Tófole.
A medida, lembra o orientador do Coas, é para evitar traumas desnecessários. Quando recebe o diagnóstico positivo, a problemática emocional e social é maior que a clínica. Isso porque ser portador do HIV não quer dizer que a pessoa esteja com Aids. A doença pode demorar 10, 12 anos ou mais para se manifestar.
O Coas foi criado no final de 95 através de uma parceria entre o Estado, a Prefeitura de Londrina e o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). De lá para cá realizou 1.514 exames e vem realizando uma série de atendimentos individuais e coletivos, gratuitamente, para a comunidade.
Ronaldo Tófole explica que antes do fazer o teste as pessoas passam por uma palestra coletiva. As palestras são realizadas às terças e quintas-feiras às 8 horas e de segunda a quinta-feira às 14 horas. Nestas palestras, um dos funcionários do Coas (dois psicólogos, um assistente social e uma enfermeira) conta o que é a Aids, como evitá-la, como é o tratamento. Também contam sobre a janela imunológica: O exame não busca o vírus, mas o anticorpo que o organismo cria para se defender do HIV. E este anticorpo geralmente é produzido depois de 90 dias que o indivíduo foi infectado. Por isso, se a pessoa passou por uma situação de risco ontem, não adianta ela vir hoje fazer o exame. Ela deve aguardar uns três meses.
A entrega do resultado é individual. Se for negativo, o orientador do Coas vai reforçar as formas de evitar o contágio. E os interessados poderão se cadastrar para receber uma cota mensal e gratuita de 12 preservativos - o Centro já distribui 600 camisinhas por mês. Mas, se o resultado é positivo, ele será encaminhado para acompanhamento no ambulatório de HIV/Aids do Centro de Referência e também para o Coas. Tófole comenta: As pessoas começam a receber orientação de como se prevenir das doenças oportunistas. Quanto melhor qualidade de vida, mais resistências elas vão ter.


