Os fins de tarde no centro de Londrina não são mais os mesmos desde 1º de maio, data da inauguração do Memorial dos Pioneiros e da revitalização da Concha Acústica. Pessoas de todas as idades estão redescobrindo o local como forma de lazer, conhecimento, e lembranças da colonização da cidade.
Evangelina Rodrigues e Silva, de 90 anos, aproveitou a tarde do domingo das mães para conhecer o local e encontrar seu nome entre os mais de três mil pioneiros gravados nos tótens. ''Fiquei muito feliz e emocionada. Nunca imaginei ver meu nome em um monumento dessa cidade que eu amo, onde vi crescer meus filhos e netos'', conta a paulista de Assis, que veio para Londrina em 1937 junto com o marido José Bonifácio e Silva e dois filhos.
As gravuras de Paulo Menten que ilustram o Memorial fazem dona Nina, como é chamada carinhosamente pela família, voltar no tempo. ''Me lembro quando chegamos aqui, em uma tarde chuvosa e com muito barro. Não tínhamos quase nenhum conforto. Vivíamos sem luz elétrica, com pouco comércio, mas éramos muito felizes''.
Andando entre os tótens, Evangelina reconhece o nome de vários amigos que, assim como ela, acompanharam os primeiros passos de Londrina, e elogia a iniciativa do Memorial. ''Pensei que era um monumento bem maior, mas ficou bonito assim. É simples, como era a cidade quando nós viemos'', compara a senhora de 90 anos.
No espaço revitalizado da Concha Acústica, as idades se confundem. Enquanto dona Nina caminha lentamente entre os tótens do Memorial, Antônio Miguel de Mendonça, de 11 anos, corre com seu skate, tentando desviar dos obstáculos. Depois da reinauguração, ele ''bate cartão'' diariamente no local, seja para andar de skate ou jogar bola com os amigos. ''Antes não tinha um lugar decente para jogar bola, brincar. A gente ficava trancado no apartamento, era muito chato. Agora é bem melhor, porque a gente pode brincar ao ar livre, fazer novos amigos'', comemora.
André Leonardo de França, amigo de Antônio, também ficou satisfeito com as melhorias no local. ''Moro perto e antes ficava direto em casa porque dava medo de brincar aqui. Hoje tem muito mais segurança, dá para ficar tranquilo mesmo durante a noite'', afirma o estudante de 12 anos.
Próximo aos meninos de skate, o casal de amigos Neusa Werlang e Pablo Banderas conversam descontraidamente em um dos bancos. Segurando uma cuia de chimarrão, Neusa conta que não conhecia a Concha porque veio para Londrina há pouco tempo, mas está gostando local, principalmente do movimento e da segurança. ''Todo dia tem bastante gente que passa olhando as placas, pára e fica conversando. É um lugar agradável para bater papo no fim de tarde, bem tranquilo''.

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