O voto para decidir sobre comércio de armas de fogo e munição no Brasil foi obrigatório. No entanto, a maioria das pessoas que conversaram com a reportagem se declararam contrárias à realização de um referendo para discutir o assunto. O gasto desnecessário foi o principal argumento dos londrinenses. Segundo estimativas da Justiça Eleitoral, somente em Londrina foram gastos cerca de R$ 60 mil com os kits alimentação distribuídos aos mesários.
Na opinião da aposentada Maria Natércia Vale Giovaneti, o governo não deveria gastar tanto com uma votação. ''O Congresso deveria decidir essa questão'', disse. Ela tem 72 anos, e mesmo não sendo mais obrigatório o seu voto, não deixou de comparecer às urnas no início da manhã. ''Vim porque tenho direito à dar opinião'', frisou. A aposentada Getúlia Moreira acredita que o referendo é ''mais uma batata quente que o governo jogou nas mãos da população''.
''O povo está servindo como bode expiatório do governo. É a eleição mais sem cabimento, a pergunta é confusa. O cidadão tem que decidir com conhecimento, mas as propagandas foram muito ruins'', opinou Getúlia. O fiscal Luiz Gil também acredita que a realização do referendo não foi importante. ''O governo quer se livrar da responsabilidade e está transferindo a decisão para a população. Só que isso não vai mudar nada'', disse.
O aposentado Anibal Francisco Moraes disse que só foi votar devido à obrigatoriedade. ''Se não votar, complica tudo para tirar os documentos'', lembrou.
Na avaliação do agricultor Oscar Coutinho de Castro, a realização do referendo foi um ''gasto sem utilidade''. ''Não precisava ter essa votação. Acho que eles (governo) fizeram isso por incompetência, os parlamentares é que deveriam decidir'', observou. A dona de casa Laíde Gomes da Silva foi um pouco mais crítica. ''Isso é uma palhaçada. Ao invés de gastar dinheiro com o referendo, por quê esse dinheiro não foi gasto para armar os policiais e investir em treinamento? É uma despesa em vão'', analisou.
O repositor Maicon Henrique Balduíno disse que o referendo ''não vale nada''. ''Acho que não vai mudar nada, principalmente para os ladrões, que vão continuar armados'', opinou. O podador de árvores João Leonel de Souza têm a mesma opinião. ''Vai ficar tudo igual, só nós (população) seremos prejudicados. Acho que o crime vai até aumentar'', comentou.
O auxiliar de pintura Orlei Cordeiro dos Santos disse que não precisava ter perdido o seu tempo ontem. ''A gente tem que votar porque é obrigatório, mas acho que não precisava disso. Era melhor deixar como estava'', argumentou.
Já a aposentada Laíde Silva acredita que o referendo é importante para o País. ''A população deve opinar. Temos que optar pelo melhor'', argumentou. A dona de casa Evelise Monteiro lembra que o referendo possibilitou uma maior discussão sobre o assunto. ''Temos que começar a discutir o assunto de alguma forma, é muito importante. E agora temos que opinar'', comentou. A dona de casa Adalgisa Maria da Silva também acredita que a realização do referendo é importante para o País. ''Todos têm que votar porque é importante. Agora vamos ver se vai funcionar'', disse.

mockup