Londrinenses previnem-se contra o glaucoma
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sábado, 04 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Fila em pleno sábado ninguém merece. Mas diversas pessoas que caminhavam pelo Calçadão de Londrina, na manhã de ontem, fizeram questão de parar em nome da prevenção. Uma campanha realizada em homenagem aos 15 anos do Hospital de Olhos de Londrina (Hoftalon) conscientizou os londrinenses sobre os cuidados com o glaucoma.
Segundo o doutor em oftamologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rui Barroso Schimiti, chefe do setor de glaucoma do Hoftalon, a doença, que é irreversível, é a maior causa de cegueira no mundo. ''É difícil apontar estatísticas, mas o glaucoma é responsável por 12,3% dos casos de cegueira, só superado pela catarata (48,7%), que é uma doença reversível.''
Schimiti explicou que o glaucoma é uma doença insidiosa, ''que chega aos poucos, sem a pessoa perceber''. Além disso, só é diagnosticado em consultas de rotina. ''No continente sul-americano, 70% dos doentes têm glaucoma primário de ângulo aberto, diferente do que ocorre na Ásia, por exemplo, onde o glaucoma de ângulo estreito é mais frequente, causando dor e crises agudas.''
Durante a campanha no Calçadão, os transeuntes assistiram a um filme de dez minutos sobre a doença e puderam medir a pressão intra-ocular. ''Quem apresentou alguma variação na pressão foi orientado pelos estagiários a procurar um especialista para realizar uma avaliação mais completa do disco óptico'', completou Schimiti.
Segundo ele, em alguns casos, a pressão intra-ocular nem é alta, mas é suficiente para destruir o nervo óptico, por isso as consultas periódicas são fundamentais. Normalmente, a doença acontece em indivíduos com mais de 40 anos, em diabéticos ou em quem tem histórico familiar. ''Na população negra a chance de desenvolver o glaucoma aumenta de três a quatro vezes.''
A elevação da pressão intra-ocular provoca lesões do nervo óptico e, como consequência, comprometimento visual. O glaucoma raramente apresenta sintomas e os sinais da doença só vão surgir nos casos agudos, quando o paciente sofre fortes dores de cabeça, fotofobia, enjôo e dor ocular intensa.
''A doença é irreversível, mas se detectada a tempo, pode ser tratada com o uso de colírios que irão diminuir a produção ou aumentar o escoamento do humor aquoso'', orientou Schimiti.
Segundo ele, 50% dos portadores de glaucoma não conheciam a doença antes de desenvolvê-la e ''a falta de informação da população em geral ainda é muito grande''. ''Cerca de 60% das pessoas não têm noção do que é o glaucoma e como funciona o tratamento.''
O comerciante José Gomes, 78 anos, visita o oftalmologista com frequência, já que teve catarata nos dois olhos e sofre de um problema em um dos olhos em decorrência de um acidente. Ontem, ele também parou no Calçadão para ouvir as explicações sobre o glaucoma e aproveitou para medir a pressão intra-ocular.
''Não estava fazendo nada mesmo, então resolvi parar para ver o filme, mas vou ao oftamologista quase todo ano, várias vezes ao ano, e acho muito boa a idéia de fazer uma campanha nas ruas'', declarou o comerciante.


