O aniversário dos 501 anos do descobrimento do Brasil, comemorado ontem, passou sem homenagens oficiais, mas não foi esquecido totalmente pelos londrinenses. Alguns não se lembraram imediatamente da data, mas depois de puxar um pouco pela memória todos demonstraram ter aprendido a lição ensinada nos primeiros anos escolares. O nome do descobridor oficial do Brasil, o português Pedro Álvares Cabral, foi citado por todos os londrinenses ouvidos ontem pela reportagem da Folha.
O diretor e ator de teatro Rodrigo Fregnan, 25 anos, hesitou por alguns segundos, mas respondeu. ‘‘Aprendemos na escola que o Brasil foi descoberto, mas 22 de abril é a data da conquista desta terra’’. Segundo Fregnan, o genocídio das populações indígenas começou oficialmente no dia do descobrimento. Na opinião do ator, no ano passado, o tema Brasil 500 Anos foi explorado exaustivamente pela mídia, ‘‘particularmente por uma rede de televisão’’. ‘‘Aquela história de marcar quantos dias faltavam para os 500 anos esgotou a paciência de todo mundo. Talvez seja por isso que este ano nada foi feito’’, comentou Fregnan.
Para a estudante do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Joice Rodrigues de Lima, 18, não há nada a comemorar. ‘‘Não teve nenhum descobrimento. Portugal já sabia da existência do território brasileiro’’, afirmou. Joice acredita que os portugueses planejaram tudo com antecedência. ‘‘Não acho que eles iriam errar o caminho. Vieram sabendo onde iriam chegar’’, reafirmou.
A dona de casa Cecília Lima, 36, não só se recordou da data como fez referência aos principais personagens históricos relacionados ao tema. ‘‘Cabral descobriu e Frei Henrique de Coimbra rezou a primeira missa (dia 26 de abril)’’, disse. Ela não se esqueceu nem do escrivão da esquadra. ‘‘Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal narrando a descoberta’’. Cecília acha que os portugueses chegaram em terras brasileiras por acaso.
O aposentado Guaraci Rostirolla, 77 anos, também tem sua versão sobre o descobrimento. ‘‘Pode ser que os portugueses não tivessem conhecimento da localização, mas os espanhóis andaram pelo Norte do País primeiro’’, opinou. Rostirolla considera que a verdadeira história não é conhecida por todos os brasileiros. ‘‘O livro ‘As Veias Abertas da América Latina’ (do escritor uruguaio Eduardo Galeano) fala sobre a exploração’’, disse. O aposentado confessou que não se esquece do descobrimento por causa de uma marchinha de carnaval. ‘‘Quem foi que inventou o Brasil, foi seo Cabral, dois meses depois do Carnaval’’, cantarolou.

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