Londrinenses pedem mais gentileza nas ruas
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quinta-feira, 06 de abril de 2006
Guilherme Borges<br> Reportagem Local 
César Cavalari é fiscal da Zona Azul; Carlos Picci é empresário; Aparecida de Fátima Rosa é manicure; Ademilson da Silva é porteiro e Grizanti Biguinati é vendedor autônomo. Moram em bairros diferentes, têm escolaridades variadas e idades que vão dos 18 aos 73 anos. Mas diferenças à parte, em uma coisa eles se assemelham: querem mais gentilezas nas ruas de Londrina.
O vendedor, mais velho entre todos, diz que está faltando senso de civilidade no município. Conta que diariamente vê cenas de desrespeito em frente ao terminal urbano, onde vende lanches: barulho excessivo, lixo no chão, carros e motos em alta velocidade, pessoas que estacionam em fila dupla sem se importar se vão atrapalhar o trânsito, e pedestres que ''atropelam'' pessoas mais idosas por falta de paciência.
Situações como estas exemplificam o que a psicóloga social Mari Nilza Ferrari de Barros chama de ''mundo narcísico'', onde cada cidadão só consegue olhar para si mesmo, e tem dificuldade de reconhecer e respeitar o outro. ''Vivemos a sociedade da indiferença, onde os problemas dos outros podem até sensibilizar, mas só fazem mudar de atitude quando nos atingem diretamente''. Ela aponta fatores como a situação sócio-econômica, o aumento da violência e o desamparo político, para entender o motivo desta despreocupação em relação ao outro.
O jornalista e historiador, Rozinaldo Miani, acrescenta que passamos por um momento histórico em que as próprias instituições sociais estão fortalecendo as ações individuais. Ele cita como exemplo as escolas que se preocupam com a aprovação no vestibular e não com a formação do cidadão.
Para a manicure Aparecida de Fátima Rosa, a falta de gentileza nas ruas reflete a falta de respeito dos políticos. ''Todo dia alguém rouba o lugar dos idosos e gestantes nos ônibus, mas o que é isso perto do que está sendo roubado em Brasília?''. O raciocínio é legítimo, mas não justificável, segundo a psicóloga. Ela explica que é natural que as pessoas se espelhem nos seus representantes legais mas ressalta:''Se eu quero uma sociedade diferente, é preciso reconhecer que eu também tenho que fazer a diferença''.
É isto que faz o porteiro Ademilson da Silva. Há dez anos trabalhando em portarias, já viveu situações variadas que procurou resolver sempre com gentileza. Numa delas, um visitante o desrespeitou dizendo que não era bandido, enquanto Silva interfonava para identificá-lo. Gentilmente, ele explicou que estava fazendo o que havia sido orientado para fazer. Depois, pediu que o morador explicasse à visita porquê havia barrado a sua entrada. ''Procuro ser sempre educado, porque é assim que gostaria de ser tratado''.


