Moro num país tropical... mas que beleza! Abençoado pela exuberância da natureza, os paranaenses que não são muito afeitos ao frio desse período pré-inverno aproveitaram o ‘‘veranico’’ dos últimos dias para tirar as roupas mais frescas do guarda-roupas e se lançaram em programas característicos das épocas quentes do ano. Em Londrina, onde a temperatura ontem à tarde chegou a quase 29 graus (termômetros de rua marcaram 33 graus), teve gente comemorando a mudança no clima. Mas nem tudo foi felicidade, principalmente entre aqueles que precisaram enfrentar o dia ensolarado trabalhando nas ruas.
  Confortavelmente acomodado em cadeiras, de frente para o Lago Igapó, o casal de feirantes Heber Ayres e Daiane Bueno dos Santos aproveitou a bela tarde de ontem para levar a filha de três meses, Emanuele, para um passeio ao ar livre com direito a água de coco e caldo de cana gelados. ‘‘Acho ótimo o calor, e para a bebê também é muito bom’’, agradeceu a mamãe, lembrando que a garotinha sofre com problemas respiratórios nos dias mais frios. Bom também para o garapeiro José Rubens Monteiro, que viu a clientela dobrar nos últimos dias.
  As amigas universitárias Ana Silva e Juliana Jucoski não pensaram duas vezes até decidirem pelas delícias de uma sorveteria na Avenida Higienópolis, onde a gerente Ana Miotto revelou que o movimento está constante até o horário do fechamento, às 23 horas. ‘‘Adoro o calor porque gosto de usar regata, blusas mais fresquinhas e chinelinho’’, disse Ana. Sua amiga completou que também não gosta do frio porque quem trabalha de manhã sofre com o ‘‘efeito cebola’’, aquele põe e tira blusas durante o dia.
  Mas se o verão fora de hora agrada muita gente, outros tantos não estão muito felizes com a subida nos termômetros, que ontem bateram nos 33 graus no Zerão. Suadas depois de horas caminhando sob o sol, as agentes de endemias Patrícia Simone Ulrich e Lígia Moreira reclamaram que nem o chapéu e o protetor solar dão conta dos desconfortos. ‘‘A estafa é maior, dá muita sede, dor nas pernas e na cabeça e muita moleza’’, enumeraram. Mesmo assim é preciso continuar porque o mosquito da dengue, esteja frio ou calor, não dá trégua.
  Para elas, a notícia ruim é que o calor vai continuar até, pelo menos, o final de semana e não há previsão de chuva. Segundo a especialista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Sheila Paz, uma massa de ar quente impede que as frentes frias atinjam o Paraná. Com isso, o calor aumenta e a umidade relativa do ar cai. Ontem, por exemplo, a temperatura subiu para 32 graus em Umuarama (28,6 graus em Londrina) e a umidade variou entre 30% e 40% em todo o Estado. ‘‘Estamos em situação de alerta porque como as chuvas não vão chegar nos próximos dias, o ar deve ficar ainda mais seco’’, alertou. Ela citou que este cenário já provoca desconfortos grandes à população mas a situação pode ficar ainda pior se a umidade do ar cair a menos de 20%, nível considerado crítico pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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