Londrinenses investem em segurança
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
Além do muro alto, do portão eletrônico, do alarme monitorado, das câmeras internas de vídeo, os moradores londrinenses estão recorrendo agora à vigilância particular, com monitoramento constante de suas residências. Do motoqueiro que faz a ronda pelas ruas do bairro à empresa de segurança contratada para monitorar uma determinada área 24 horas por dia, cada um se vira como pode para defender seu patrimônio.
Na última quinta-feira, um tiroteio na Gleba Palhano (Zona Sul), bairro residencial nobre da cidade, comprovou mais uma vez que tanta precaução aumenta a sensação de segurança, mas até um certo ponto. ''Não tem como se sentir 100% seguro'', afirma Warney Mauro Costa Val, síndico de um dos edifícios daquela região.
Para se prevenir de eventuais assaltos, há cerca de um mês moradores do prédio em que mora juntaram-se com de dois edifícios vizinhos e contrataram uma empresa de segurança para monitorar a área 24 horas por dia. São quatro funcionários que se revezam em uma moto e uma viatura para vigiar uma área inferior a duas quadras. O custo total supera R$ 4,5 mil, mas, dividido entre os mais de 250 apartamentos, fica em R$ 18 por condômino.
O valor é inferior ao dos motoqueiros que fazem a ronda nos bairros, que costumam cobrar entre R$ 20 e R$ 30. ''A diferença é que no bairro não é todo mundo da mesma rua que paga'', avalia a também síndica Marlene Figueiredo. Ela destaca que a iniciativa de envolver três edifícios, além de reduzir os custos, garante uma segurança maior para todos os moradores. ''Os porteiros têm como se comunicar entre eles e com os vigilantes, para que todos possam ficar atentos caso haja algum suspeito nas proximidades'', informa.
Todos os três residenciais têm portão eletrônico, cerca elétrica e câmeras de vídeo, além de muros de mais de dois metros de altura e porteiro 24 horas por dia. Para os moradores, porém, todo esse aparato não basta. ''Nos finais de semana há muita festa por aqui, e já houve convidados nossos que foram assaltados ou tiveram carros arrombados. A presença dos seguranças deve inibir a ação deles'', prevê. Segundo o porteiro de um dos prédios, já inibiu. ''No sábado, eles já impediram que um carro fosse arrombado aqui em frente'', relata.
O recurso, segundo os síndicos, foi uma tentativa de suprir a falta de policiamento na cidade. ''Uma vez uma pessoa suspeita passou uma semana em frente ao apartamento e nós ficamos ligando para a polícia todos os dias, mas eles não vieram. Depois soubemos que ele estaria armado'', conta Marlene.
O trabalho da empresa de segurança contratada pelos moradores da Gleba Palhano resume-se a monitorar a frente dos edifícios e as redondezas, identificando suspeitos e acionando a polícia se necessário. Apesar de receberem treinamento, os funcionários de empresas de vigilância e de monitoramento não podem, por lei, andar armados. ''Sei de muita gente que anda armada sim, mas nós não queremos problemas com a lei'', revela o sócio de uma dessas empresas.
Ele afirma que, apesar de não ter a mesma autoridade de um policial, os serviços prestados por sua empresa têm a vantagem de poder acionar a polícia mais rapidamente, e, em alguns casos, possuir um contato mais próximo com os próprios policiais, além de possuir um preparo muito maior. ''Todos os nossos funcionários vivem se reciclando em cursos sobre o assunto'', ressalta.


