Londrinenses fogem dos aeroportos
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
A crise aérea brasileira tem mudado os planos de viagens de muita gente. Preocupados em garantir um final de ano tranquilo com amigos ou familiares, londrinenses mudam o destino de suas viagens ou simplesmente deixam de viajar até ter a certeza de que não serão prejudicados com os atrasos dos vôos nos aeroportos.
Funcionários de agências de viagens têm percebido a diminuição da procura por viagens aéreas. Taige Tsuji, gerente de uma agência na cidade, diz que a maoria dos clientes não comenta o motivo para cancelar os pacotes turísticos, mas ele já observou uma grande diferença na procura por viagens aéreas em comparação ao ano passado. ''No ano passado, nessa mesma época, a procura era bem maior. Temos tido mais problemas com vôos domésticos do que internacionais, por isso temos estimulado os clientes a não fazer conexões muito próximas uma das outras para não correr o risco de perder vôo'', explica.
Além de orientar as pessoas quanto aos melhores horários entre uma conexão e outra, algumas agências tem ofertado pacotes turísticos diferenciados onde o cliente pode optar por viajar sem ter dor de cabeça.
Foi o que aconteceu com o adminsitrador Maurício Floresti, que estava pensando em passar a virada do ano no Nordeste, mas acabou decidindo em ir para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Floresti conta que já enfrentou atrasos de mais de uma hora no aeroporto em São Paulo quando viajava a trabalho. Para não proporcionar o mesmo desconforto à família, desta vez, ele viajará de carro.
''Para um adulto, ficar preso no aeroporto é uma coisa, mas ficar preso com a família e criança pequena, é outra. Quero ter uma viajem tranquila e poder proporcionar isso à minha família. O Brasil tem muitas opções legais de lugares que a gente pode conhecer. Acho que esse problema nos aeroportos me fez repensar que viajar de carro, devagar, também pode ser bem agradável, e vai ser isso que vou fazer'', comenta.
Os problemas nos aeropostos também fizeram com que o médico Manuel Calam mudasse totalmente os planos de viagem. Para o cirurgião, que pensava em passar o Natal junto da família no Piauí, a possibilidade de ficar preso em algum aeroporto, justamente no fim de ano, é inaceitável.
Para chegar até Teresina, Calam e a esposa teriam que sair de Londrina, passar pelo aeroporto de São Paulo, de lá, seguir até Brasília para daí sim ir até a cidade piauiense. Como é praticamente impossível encarar esse trajeto de automóvel, o médico resolveu então, juntamente com a esposa, deixar a viagem para uma próxima oportunidade.
''Já tinha reservado as passagens, mas como ficarei poucos dias, não queria correr o risco de ficar preso em algum aeroporto. Fiquei chateado porque já tinha planejado tudo. Nesse País tudo pode acontecer. Agora vou aguardar as coisas se normalizarem e visitarei minha família só no Carnaval''.


