Londrinenses enfrentam 'veranico'
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quarta-feira, 27 de junho de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

O inverno mal começou e o verão já deu as caras. Essa é a sensação que os londrinenses enfrentam há dias. Além da estiagem, as temperaturas estão atingindo perto dos 30º C nos horários de maior aquecimento (entre 14h e 16h) e a umidade relativa do ar vem registrando uma média de 36%.
A meteorologista do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), Angela Beatriz Costa, explica que o calor intenso fora da estação caracteriza o chamado "veranico" (fenômeno meteorológico caracterizado por um período de estiagem, calor acima dos 25 graus e baixa umidade relativa do ar durante o inverno).
"Uma massa de ar seco desde o Norte até o Centro-oeste do estado cria uma espécie de bloqueio atmosférico que impede que a chuva avance na direção da região de Londrina. Para isso acontecer é preciso que um sistema de baixa pressão provoque uma condição de instabilidade, mas não há essa previsão para o horizonte de uma semana", afirma.
De acordo com ela, o aumento de nebulosidade nesta semana em Londrina não trará chuva significativa. "No máximo, um chuvisco", completa. O último registro de chuva, segundo o Simepar, foi há 15 dias.
A meteorologista cita ainda que o inverno é um período com menos registros de chuva e queda na umidade relativa do ar, mas não com temperaturas elevadas como vem ocorrendo nos últimos dias. "No mês de junho temos até agora um acúmulo de 32,4 milímetros de chuva, sendo que a média para este período é de 95 mm. Além da falta de chuva, as altas temperaturas vão se manter até a próxima semana. As máximas vão se manter em aproximadamente 27ºC, com um ligeiro declínio nas mínimas para 13ºC", aponta.

SAÚDE
Essa "combinação climática" não é uma boa notícia para a saúde, especialmente das crianças, idosos e indivíduos com comprometimento respiratório. Para se ter uma ideia, a OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que os índices de umidade relativa do ar inferiores a 60% não são adequados para a saúde.
O reflexo disso é o aumento no número de atendimentos nos hospitais. Na Santa Casa de Londrina, no Hospital Infantil Sagrada Família e Hospital Mater Dei, os procedimentos de inalação chegam a 703 somente neste mês de junho, sendo que em janeiro foram 403 atendimentos para o mesmo fim.
Entre essas instituições, o Hospital Infantil registra o maior aumento. De 43 atendimentos de inalação em janeiro, houve um salto para 183 neste mês. Na manhã de quarta-feira (27), o pequeno Davi Luis Minas, 4, esteve no hospital porque, segundo a mãe, o tempo seco e a mudança de temperatura agravaram a falta de ar e a tosse. "Ele tem asma e o quadro persiste há uma semana. O clima não está colaborando", comenta Ana Carina Minas.
A comerciante Ketlin Cristina Venâncio também buscava atendimento médico para o filho Igor, 6, que sofre com bronquite e rinite desde os primeiros meses de vida. "Na madrugada a tosse piorou, ele está espirrando o tempo todo e até os olhos e a pele coçam. Ele tem alergia respiratória severa e esse clima é um problema. Estamos torcendo para chover logo", comenta.
CUIDADOS
Habituada às orientações médicas a cada crise respiratória do filho, Venâncio diz tomar algumas medidas em casa para evitar ir ao hospital. "Uso umidificador, deixo os ambientes bem arejados, reduzo ao máximo a poeira em casa e cuido muito da hidratação, tanto com líquidos quanto com cremes para a pele", diz.
A pediatra Maria Aparecida Sans Ferreira Azevedo, que atua no Hospital Infantil, reforça os cuidados com a hidratação neste período de tempo seco e mudança climática. "Além disso, priorizar o consumo de frutas e alimentos mais frescos", recomenda.
A umidificação dos ambientes também é necessária, seja pelo uso de aparelhos umidificadores ou de toalha úmida e bacia de água. "Quem tem aparelho de inalação em casa pode fazer com soro fisiológico, mas as soluções nasais devem ser utilizadas somente em casos de obstrução nasal grave. Caso contrário, as pessoas devem saber que o próprio organismo produz uma coriza que acaba limpando a narina", completa.
A médica ainda destaca que nem todos os casos demandam uma corrida ao pronto-atendimento. "É importante procurar o hospital quando a pessoa ou criança apresenta dificuldade respiratória (chiado, falta de ar, tosse rouca), laringite e febre de difícil controle", diz. Além dos quadros respiratórios, a população deve ficar atenta às alergias e inflamações, como a rinite, otite e conjuntivite.


