Nesta terça-feira (12), as famílias cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único) do Paraná começaram a receber o Cartão Comida Boa, um valor de R$ 50 para a compra de alimentos como auxílio diante da crise causada pela Covid-19. Em Londrina, cerca de 43 mil famílias deverão buscar o benefício até sexta-feira (15) em qualquer unidade escolar municipal.

Maria de Fátima Ferreira
Maria de Fátima Ferreira | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Para evitar aglomeração, os profissionais da educação que atuam como voluntários na distribuição do benefício prepararam as unidades com demarcações nas filas, disposição de álcool em gel e distanciamento no atendimento, porém, a tranquilidade diante da busca surpreendeu a todos. “A gente achou que ia ter fila, mas está bem tranquilo. Caso venham mais pessoas, nós nos preparamos para entregar senhas”, explica Emília Kobayashi, diretora do CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Clemilde de Martins Lopes dos Santos, no jardim Leonor (zona oeste).

Na primeira hora da distribuição, apenas cinco pessoas tinham passado pela unidade em busca do auxílio. “Nós mandamos mensagens para os pais de alunos avisando, mas não são só para pais e sim para toda a comunidade. Por enquanto, estamos sem fila, acredito que devido a distribuição por data de aniversário”, afirma. O CMEI espera entregar 300 unidades até o término da semana.

QR CODE

Têm direito ao benefício pessoas cadastradas no CadÚnico atualizado até o dia 20 de março e renda per capita de até meio salário mínimo. A secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali, conta que as unidades escolares são parceiras na distribuição do cartão, mas não fazem a avaliação para o cadastro na plataforma.

Os beneficiários devem levar documento para adquirir o benefício do governo estadual. “A pessoa chega com o CPF, a escola entra no sistema e verifica se tem o nome da pessoa para entregar o cartão”, explica. O cartão é eletrônico e o CPF do beneficiário é cadastrado por meio do QR Code. Com isso, ele pode fazer compras de alimentos de até R$ 50 nos estabelecimentos cadastrados e o estado vai acompanhar a situação da pandemia, podendo o cartão ser recarregável por três meses.

Micali aponta que o Cartão Comida Boa é mais uma forma auxiliar as famílias que estão sobrevivendo de ajuda. “Não é possível que uma pessoa sobreviva apenas com esses R$ 50, então, na secretaria iremos complementar com uma cesta básica e a pessoa pode receber até R$ 182 do município, de acordo com avaliação.”

Na cidade, 35 mil cartões serão distribuídos nas 120 unidades escolares seguindo cronograma estabelecido de acordo com mês de aniversário do beneficiário. “As pessoas entram, os professores já estão com tudo pronto e a pessoa já sai para o supermercado perto da casa dela para fazer a compra. Está bem rápido, as vezes o sistema fica lento pela sobrecarga, mas com tudo normal em dois minutos isso é feito, estamos até surpresos que não tivemos fila em nenhum local da cidade”, fala a secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal Moraes. “Além de suprir a fome dessas pessoas, vamos injetar nessa semana, nesses pequenos comércios 2 milhões de reais”, acrescenta.

COMER POUCO

Maria de Fátima Ferreira, 57, deixou de cumprir a semana cheia de trabalho para atuar como diarista em apenas dois da semana depois que a pandemia pelo novo coronavírus chegou à cidade. Ela vive com um filho e comenta que é o benefício é fundamental nesse momento em que se procura qualquer tipo de ajuda para sobreviver. “Para mim é importante, porque sou chefe de família e qualquer ajuda do governo é bem-vinda", aponta. Com a renda diminuída pela crise, não encontrou outra solução. “Tem que comer pouco!”, desabafa.

Imagem ilustrativa da imagem Londrinenses começam a receber Cartão Comida Boa

Com quatro filhos para sustentar, Ana Roberta Miguel Franco, 35, também procurou o auxílio. Ela é babá, mas também foi dispensada do serviço. “Era minha alternativa, desde o início da pandemia estamos sobrevivendo do Bolsa Família, da cesta básica do Cras (Centro de referência de Assistência Social), e uma pensão de R$ 100 de um dos filhos. Esses R$ 50 vão ajudar”, afirma.

A secretária municipal de Assistência Social, Jacqueline Micali, conta que desde o início da pandemia, mais de 9 mil famílias novas procuraram os Cras para fazer o CadÚnico. “São famílias que antes não estavam dependendo da assistência, então, estamos entregando cestas básicas e realizando mutirões para o cadastro, porque essa família vai depender do Bolsa Família”, afirma.

Ao mesmo tempo, Micali salienta que a prefeitura é responsável pelo cadastro, mas que a avaliação e repasse são do governo federal. “Desde o ano passado nós já estávamos com o CadÚnico lotado e com o Bolsa Família represado, já tínhamos uma média de 6 mil famílias que teriam o direito, mas não estavam recebendo. Elas estão chegando a nós, mas isso não é algo que o município controla e sim o governo federal”, argumenta.

Além disso, outra demanda começou a aparecer com a falta do recebimento do auxílio emergencial nacional de R$ 600. “Em média, duas mil pessoas que teriam direito de receber em Londrina não receberam. São famílias que já estão no CadÚnico e Bolsa Família e que automaticamente já deveriam receber, essas pessoas estão nos procurando”, aponta. Diante dessa questão, a secretária afirma que o município está entrando em contato com a Caixa Econômica e com o Ministério da Cidadania para tentar entender o que houve e pedir que eles tenham acesso a esse recurso.

SERVIÇO
Mais informações sobre o benefício estão disponíveis no site: www.cartaocomidaboa.pr.gov.br ou telefone: 0800-200-4150.

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