Alheios às quase diárias manifestações que exigem a revogação do reajuste da tarifa do transporte coletivo (que teve seu valor alterado no início do mês de R$ 1,35 para R$ 1,60), vários cidadãos londrinenses estão dando à sua maneira uma resposta ao aumento do passe: simplesmente não estão mais pegando ônibus. Se locomovem a pé, pegam carona ou vão de bicicleta.
Eles parecem seguir o exemplo de Liomar Rozendo de Oliveira, que trabalha como embalador numa fábrica na zona oeste de Londrina. Morador do Jardim Piza, na zona sul, ele conta que todo dia perfaz de bicicleta os cerca de 15 quilômetros entre sua casa e o local de trabalho, apenas para não pegar ônibus. ''É caro demais. Há uns oito anos não uso (o transporte coletivo). Eu gastaria uns R$ 85 por mês com esse novo valor de passe. Só ganho R$ 350. Pesa muito'', diz Oliveira.
Ele relata que a pedalada oferece muitos perigos, considerando-se o trânsito cada vez mais caótico de Londrina. ''Mas é melhor correr risco do que pagar esse valor absurdo'', diz ele. Em sua maratona diária, Oliveira tem a companhia de mais três colegas, que também acham que andar de ônibus em Londrina é caro demais.
O trabalhador autônomo Flávio Rodrigues Santos, morador do jardim Santa Fé (zona leste), apenas recentemente começou a adotar a bicicleta como meio de locomoção. ''Até R$ 1,35, até dava para aguentar. Já R$ 1,60 é demais'', explica. Ele conta que, antigamente, utilizava o ônibus para realizar seus serviços. Diz que, em um mês, já chegou a gastar R$ 300 em passes.
''Era uma despesa pesada, mesmo. Nem calculei quanto gastaria com esse valor novo. Só sei que não valeria a pena pagar tanto. Ônibus hoje em Londrina é luxo. E por um serviço ruim, com ônibus superlotados, barulhentos e com poucas linhas'', critica. Vizinhos de Rodrigues no Santa Fé, os pedreiros Fernando da Silva e Alício de Oliveira Carvalho também passaram a evitar o ônibus.
Fernando mais recentemente: ele diz que não precisou fazer mais serviços fora do bairro desde o reajuste da tarifa, mas relata que quando for necessário se locomover para outra região da cidade usará a bicicleta. ''Ninguém está aguentando pagar. De manhã, os ônibus estão passando vazios'', afirma.
O pai de Fernando trabalha numa construtora na zona oeste da cidade, e está indo para o serviço de bicicleta. Já Alício diz que ''há mais de um ano'' não usa ônibus para trabalhar. ''No ano passado, quando a tarifa ainda era R$ 1,15, eu já achava caro. Na época, eu estava trabalhando num condomínio de luxo da zona sul. Ganhava R$ 22 por dia e desisti do serviço porque o dinheiro que eu gastava com passe apertava'', argumenta. ''Pra quem tem carro, até a gasolina fica mais barata do que o passe'', diz Fernando.

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