Londrina - A política não faz parte do dia a dia desses dois alunos, mas a partir da experiência que terão em Brasília nas próximas semanas eles acreditam em grandes mudanças. Fellipe Gonçalves dos Reis, de 16 anos, e Carolina Rodrigues, de 19, são os únicos londrinenses selecionados no Parlamento Jovem Brasileiro. O programa é uma iniciativa da Câmara de Deputados e é realizado anualmente com o objetivo de possibilitar a estudantes de escolas públicas e particulares conhecerem as atividades parlamentares.
Durante cinco dias, eles irão atuar como "deputados jovens", por meio de uma simulação da rotina dos trabalhos legislativos. Com isso, pretende-se despertar os jovens para a reflexão crítica e representação política.
"A política, na verdade, nunca me interessou, mas acho que essa oportunidade vai me dar uma visão bem diferente e até ajudar a compreender melhor sobre o assunto", comenta Carolina, aluna do 4° ano do curso técnico em Meio Ambiente, na modalidade Integrada, do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, na zona Sul.
Ela e Fellipe, aluno do 3° ano do curso técnico em Edificações, do Colégio Estadual Polivalente (zona Oeste), representam dois dos cinco projetos de lei de todo país, selecionados por uma comissão da Câmara de Deputados Federais e também pela Secretaria de Estado da Educação. Em todo o Paraná, 100 projetos inscritos foram classificados na primeira etapa e na segunda, apenas 20.
Carolina, sob orientação da professora Haydee da Costa Zempulski, uma das coordenadoras dos cursos técnicos do Albino Feijó, criou um projeto de lei de acessibilidade. Sua proposta é responsabilizar donos de imóveis e empreendedores no mercado imobiliário quanto a adequação das calçadas, tornando-se ecologicamente corretas e acessíveis aos cidadãos que as utilizam diariamente.
A estudante, que deseja seguir carreira na área ambiental, conta que a ideia do projeto surgiu no trajeto de casa para a escola. "No caminho eu comecei a pensar na dificuldade de quem tem dificuldade de locomoção, pois para mim já é bem difícil. As calçadas não estão adequadas. Há muitas raízes de árvores e desníveis que são verdadeiros obstáculos", explica.

Ações integradas
Já Fellipe contou com a ajuda de toda a sala para definir o tema do projeto. Ao todo, 14 alunos e o professor do curso técnico, Eduardo Mesquita Cortelassi, estudaram diversas ações até encontrarem uma boa solução de caráter ambiental. "Nosso enfoque é tornar obrigatória nas prefeituras de médio e grande porte a redução na quantidade de resíduos classe A da construção civil, através de ações integradas", salienta o professor.
Fellipe, responsável pelo projeto, explica que a ideia é fazer com que as construtoras encaminhem os resíduos para uma usina de reciclagem, que seria implantada pela prefeitura. "As construtoras recolheriam 30% dos resíduos já processados para serem reutilizados na construção, e os 70% restante seriam reaproveitados em obras do poder público. Muitas pessoas não sabem que muitos dos entulhos que vão parar nos fundos de vales e terrenos baldios podem ser reutilizados. Isso geraria menos impacto ambiental e uma certa redução de custos", ressalta.
Os alunos terão os custos da viagem, hospedagem e alimentação arcados pela coordenação do programa. Eles embarcam no dia 22 de setembro e ficam até dia 27. "Estou com grande expectativa porque vou para um lugar que tenho muita vontade de conhecer e, o que é melhor, representando meu colégio, a cidade. Além disso, nunca viajei de avião e nem fui tão longe. Vou aproveitar para fotografar a arquitetura de Niemeyer e trazer muitas lembranças", revela Fellipe.
"Acho que vai ser bem interessante porque nós vamos atuar como deputados. Estou bem curiosa. Em casa, a gente fez uma grande festa com a notícia", completa Carolina.

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