Um coração bate feliz quando o dono sabe a importância de cuidar bem dele. Porém, muitas pessoas ainda vivem perigosamente, expondo-o a hábitos nada saudáveis, que fariam o órgão chorar de tristeza, fazendo jus à fama de ser senhor das emoções.
Para dar um tratamento de choque naqueles que passam pela vida sem cuidar do companheiro de todas as horas o velho e bom coração no dia Nacional de Prevenção às Doenças Cardíacas, o Hospital do Coração realizou anteontem no final da tarde, no Catuaí Shopping Center, um campanha de conscientização.
Famoso da vez em consequência da morte do jogador Serginho, do São Caetano, o desfibrilador, foi um dos aparelhos que estiveram em exposição. As pessoas que circulavam pelo shopping puderam medir a pressão arterial e as dosagens de colesterol e glicemia.
Os que ainda não se preocupam em manter a saúde do órgão um alerta: estatísticas apontam que 30% da mortalidade de pessoas adultas no Brasil é em consequência de doenças cardiovasculares. São mais mortes de pessoas acima dos 20 anos de idade, que as registradas em acidentes de trânsito e violência urbana.
O que está acontecendo com o brasileiro? ''Sem dúvida, temos que enfocar que, no Brasil, até bem pouco tempo, era mais comum as doenças infecciosas. Hoje, o predomínio é das doenças cardiovasculares'', diz o médico cardiologista André Labrunier, chefe do setor de Hemodinâmica do Hospital do Coração. Segundo ele, as causas estão relacionadas ao tipo de vida que o brasileiro está levando e uma série de hábitos que não são muito saudáveis. ''As pessoas andam apenas de automóvel e não fazem mais exercícios físicos. Também é comum uma alimentação inadequada e excessiva, o que leva à obesidade. O tabagismo é outro inimigo do coração, além do estresse'', afirma o cardiologista.
As mulheres passaram a engrossar as estatísticas, acupando um novo perfil social. Trabalho e tabagismo se aliaram ao uso de anticoncepcionais, aumentando a incidência dos males do coração.
Se em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano nem em sonho o Brasil poderá se igualar, nas doenças cardíacas já estamos praticamente vivendo a hora do pesadelo que se vive nos Estados Unidos. Nos EUA, 35% da população são pessoas consideradas obesas. Taxa que não é muito diferente da encontrada no Sul e Sudeste brasileiro um risco para o relógio que mantém a vida.
Recentemente, a morte do jogador em pleno campo deixou as pessoas em alerta sobre a possibilidade de morte súbita. Em Londrina, uma lei municipal exige que locais com grande aglomeração de pessoas tenham à disposição um desfibrilador, aparelho que pode salvar vítimas de parada cardíaca, por exemplo.
O médico ressalta a importância de pessoas treinadas para usar o equipamento, sem o qual não se pode realizar um atendimento de emergência eficiente. ''É algo para ser discutido nos currículos dos cursos de medicina, enfermagem educação física, bem como entre bombeiros, policiais e até vigilantes e profissionais de segurança do trabalho. É uma responsabilidade, inclusive, governamental, do Ministério da Sa© úde, que tem a missão muito séria de investir no treinamento'', aponta Labrunier, destacando que muitos atletas amadores estão com uma expetativa negativa em relação aos exercícios físicos, depois da tragédia do Morumbi.

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