Londrinense tem bons resultados com transplante
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Entre os milhares de brasileiros que lutam contra o diabetes tipo 1 está o londrinense Felipe Costa do Carmo, de 18 anos, que há 2,5 anos participa de pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), sob coordenação dos médicos Júlio Cesar Voltarelli e Eduardo Barra Couri. Baseada no transplante de célula-tronco, a técnica representa uma grande esperança para portadores de doenças autoimunes, como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatóide, além do diabetes tipo 1.
Felipe começou o tratamento logo depois do diagnóstico da doença, feito em maio de 2007. Ele foi o primeiro paciente do Paraná e o 16º do Brasil a submeter-se ao transplante de célula-tronco para tratamento do diabetes. Durante dois anos ficou livre das injeções diárias de insulina, mas atualmente vive um momento decisivo para a terapia: há um ano, após ser aprovado no vestibular de Oceanografia e passar a morar em Itajaí (SC), viu suas condições de saúde recaírem, voltando a depender do uso do medicamento.
''Provavelmente o estresse de morar sozinho e o tipo de alimentação levaram a uma disfunção, mas segundo os médicos parte do seu pâncreas continua funcionando, o que comprova o sucesso do tratamento'', diz a mãe do estudante, Maristela Costa Bandeira. A expectativa da família, agora, é que Felipe consiga se organizar para cumprir a dieta recomendada (livre de açúcar e pobre em carboidrato) e retomar a atividade física diária. ''Eu tomo a injeção de insulina de manhã, e ela age o dia todo no organismo. Se eu passar muito tempo sem comer começo a ter sintomas de hipoglicemia, como calafrios, tremores e até desmaio'', conta o jovem.
Como o diabetes tipo 1 cria anticorpos que atacam o pâncreas e destroem as células que produzem insulina no organismo, a terapia que vem sendo testada pelos pesquisadores da USP só é possível antes que estas células sejam totalmente destruídas. Resumidamente, o tratamento consiste em submeter o paciente à quimioterapia e à coleta de células-tronco, que são congeladas. Após um intervalo de 10 dias é feita nova quimioterapia para zerar a imunidade e o paciente recebe de volta as células-tronco, que irão 'refazer' seus mecanismos de defesa, permitindo que o pâncreas volte a produzir insulina.
O estudo com células-tronco feito na USP teve início em 2003 e, segundo os médicos, ainda é cedo para falar em cura da doença.
SERVIÇO
Mais informações podem ser obtidas pelo fone (16) 3602-2769.


