Jovelina Lazarina do Nascimento, 67 anos, denunciou no Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina o desaparecimento da sobrinha Maria Aparecida Borges que hoje deve ter 32 ou 33 anos. A família perdeu o contato com ela há quatro anos e desde então vem tentando localizá-la sem sucesso.
Maria Aparecida trabalhava como empregada doméstica na casa de uma família conhecida que mudou-se para Cuiabá (MT) e a levou junto. A família de Maria Aparecida, muito humilde, não sabe ao certo quando isto aconteceu. Tempos depois esta família mudou-se para o Japão e a empregada doméstica teria ido trabalhar na casa da missionária Joana Rodrigues Neto, ainda em Cuiabá.
Segundo sua tia, em seguida Maria Aparecida foi embora para Buenos Aires (Argentina) para ser missionária de uma igreja (ela não sabe dizer qual) junto com Joana Rodrigues Neto. A família não tem datas precisas das viagens de Maria Aparecida e nem maiores dados de Joana Rodrigues Neto. Mas em uma foto enviada para a família em Londrina, Maria Aparecida aparece junto com Joana e um homem.
A tia afirma que enquanto a sobrinha estava em Cuiabá visitou a família em Londrina duas vezes. Depois que foi para a Argentina os contatos passaram a ser apenas por carta e telefone. A última correpondência é de 10 de março de 1998. Pouco depois, Hilda, irmã de Maria Aparecida teria conversado por telefone com Joana. ‘‘Ela disse que não poderia dar notícias de Maria Aparecida porque ela estava trabalhando no centro de Buenos Aires, na casa da mãe de Joana’’, disse Jovelina.
Desde então a família não tem nenhuma notícia de Maria Aparecida. Segundo a tia, vários contatos foram tentados, um deles quando a mãe da empregada doméstica se encontrava muito mal de saúde. As irmãs de Maria Aparecida ligaram para a Argentina, mas não conseguiram falar com ela.
Jovelina do Nascimento afirma que a última vez que viu a sobrinha ela tinha 20 anos e tinha vindo visitar a família quando ainda morava em Cuiabá. Quando foi para a Argentina, nos contatos por carta e telefone Maria Aparecida dizia que a vida era difícil lá.
Uma das irmãs chegou a dizer para ela que queria ir visitá-la, segundo Jovelina. ‘‘É melhor você não vir, aqui é um país difícil. Se você vem não volta’’, teria dito Maria Aparecida, segundo sua tia.
O coordenador do CDH-Lda Jorge Custódio encaminhou um ofício com os dados de Maria Aparecida para o Ministério das Relações Exteriores e para entidades de Direitos Humanos da Argentina na tentativa de localizar a moça, mas ainda não recebeu resposta.

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