Londrina transformou-se nas últimas semanas em um dos principais centros brasileiros de referência e informações sobre os refugiados de Kosovo na Albânia.
Um dos elos entre o Brasil, o conflito iugoslavo, o bombardeio da Otan e os refugiados em território albanês é a missionária Najua Diba, de 52 anos, integrante da Igreja Presbiteriana Independente de Londrina.
Najua é hoje um dos símbolos da assistência internacional aos kosovares em acampamentos albaneses. Ela é a única missionária brasileira a enfrentar o cotidiano da guerra nos campos de refugiados. Seu nome circula em sites da Internet e nos boletins das missões religiosas distribuídos entre grupos evangélicos.
Álbum de FamíliaSemente plantadaKosovares rezam na igreja implantada por Najua Diba em Pristina, capital de KosovoNo final de abril, Najua mereceu um perfil especial da repórter Gina Azevedo Marques, que cobre a guerra na Iugoslávia para a revista ‘‘Istoɒ’.
Najua se comunica todas as semanas com o Conselho de Missões da sua igreja em Londrina. Seus relatos enviados por e-mail ou telefone são distribuídos para outras cidades brasileiras e circulam entre vários grupos religiosos.
Por causa deles, o Conselho de Missões já articula uma campanha de ajuda aos refugiados que deverá ser lançada no Paraná nos próximos dias. ‘‘Agora, temos nos falado menos porque Najua está muito ocupada. A situação agravou-se na Albânia e o acampamento onde ela dá assistência, nos arredores de Tirana, já está com mais de quatro mil refugiados’’, diz a coordenadora do Conselho, Helena Fonseca.
Mário CesarReferênciaLaine Araújo: ‘‘Ela (Najua) trabalha também como intérprete para grupos internacionais’’Najua é fundamental no dia-a-dia do acampamento. Ela fala inglês e albanês fluentemente. Morou durante anos em Kosovo e domina também a língua dos sérvios. ‘‘Por isso, trabalha ainda como intérprete para outros grupos internacionais de apoio que começaram a chegar na Albânia nos últimos dias’’, conta Laine Araujo Ribeiro, do Conselho de Missões de Londrina.
Desde que os refugiados começaram a chegar na capital da Albânia, o cotidiano de Naja se transformou. Com os pés na lama, ela entra de barraca em barraca e conversa com todo mundo no chamado ‘‘campo das piscinas’’.
O ‘‘campo das piscinas’’ foi recentemente celebrizado de forma trágica pelos correspondentes internacionais de guerra. Ali, entre ruínas de um antigo ginásio esportivo nos arredores de Tirana, mais de quatro mil kosovares, na maioria velhos e crianças, se amontoam em barracas militares.
‘‘As piscinas no campo realmente provocam impacto. Vazias e em ruínas, transformaram-se no esgoto do acampamento, são exemplos da falta de saneamento e dos riscos de epidemias que enfrentamos por aqui’’, relatou Najua em uma de suas cartas enviadas há 15 dias para Londrina.
Em conversas por telefone com as companheiras brasileiras, Najua diz que nunca viu tanta tristeza em um só lugar. ‘‘Nos primeiros dias do conflito, ela trabalhava arduamente levando alimento para as pessoas. Agora, esse trabalho está sendo feito por organizações internacionais.
Graças a esse apoio, ela diz que está podendo dar assistência espiritual aos refugiados, principalmente àqueles que perderam parentes, ou seja, a grande maioria’’, diz Helena. Num de seus últimos e-mails, enviado no dia 6 de abril, Najua conta que ‘‘os refugiados dão testemunhos terríveis de massacres e da violência sérvia’’.
Ela diz ainda que as feridas da guerra são bem mais amplas do que aquilo que é mostrado pela imprensa. ‘‘Penso que não preciso me deter a dar certas informações, pois é só ver os jornais e TVs, e multiplicar por muitas vezes mais estas atrocidades. Aí, talvez, vocês possam ter uma idéia do seja isto’’.

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