Longas filas e pelo menos uma hora e meia de espera. Os usuários de transporte coletivo em Londrina enfrentaram um verdadeiro calvário para comprar e estocar passes com preços antigos, antes da alta de 15% que começa a vigorar a zero hora deste domingo. A passagem de ônibus vai subir de R$ 1,00 para R$ 1,15.
Segundo as duas empresas que atuam na cidade, ontem houve um crescimento de 30% na venda de passes, duas vezes mais que o movimento verificado em outros aumentos de tarifa. No Terminal Central de Transporte Coletivo, onde no final da tarde a fila cercava todo o prédio que ocupa uma quadra inteira, o desconforto foi aumentado com o pouco espaço na área dos guichês. Na garagem da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina, foram distribuídas senhas com numerações que assustavam os interessados. Muitos chegaram a desistir.
A maioria, no entanto, por obrigação profissional – empresas em busca de vale-transporte para seus funcionários – ou por necessidade – estudantes em busca de uma economia – topavam o desafio e aguardavam, em média, mais de uma hora.
A combinação de espera obrigatória e a irritação pelo aumento tornaram os dois locais uma tribuna de indignação popular. ‘‘Quando o salário sobe, vem este aumento e acaba com a nossa alegria’’, desabafou José Aparecida de Brito Pereira, 26 anos, manobrista de um estacionamento que utiliza 100 passes por mês. ‘‘Quinze reais para mim é muita coisa.’’
‘‘Se pudesse, compraria para mim, mas a grana anda curta’’, lamentava Vera Lúcia Almeida, 39 anos, professora desempregada, que estava no Terminal Central na tarde de ontem para adquirir 90 passes escolares para os filhos. Na mesma fila, o universitário Cláudio Cassol, 20 anos, reclamava da qualidade do serviço. ‘‘Às vezes demoro muito tempo para conseguir um ônibus que pare no ponto. Estão sempre lotados.’’

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