Londrinense é mais seguro em apartamento
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Trazia sacos nas costas, pegava carona em carroça, subia em árvore, tomava banho em rio.'' Quem não queria uma infância dessas? Pois a professora Maria Antônia Navarro Fernandes, nascida e criada no sítio, aproveitou ao máximo a liberdade do campo até escolher Londrina para criar os filhos.
Muito pouco do que ela vivenciou quando criança foi experimentado pelo filho Flávio e pelas filhas Alessandra e Vanessa, que cresceram numa casa de dois quartos na Vila Recreio, Região Central de Londrina. ''Nunca tive empregada e fazia um jogo de horário com meu marido para nunca deixar as crianças sozinhas. Enquanto eu trabalhava ele ficava em casa e assim que eu chegava, ele saía para trabalhar.''
Criados com um quintalzão à disposição - eles tinham cesta de basquete e rede de vôlei, que também era usada para jogar tênis -, os três filhos de Maria Antônia nunca saíram na rua para brincar. ''Eles liam, desenhavam'', contou a professora. Ela preferia que as crianças brincassem em casa ''por medo do que poderia acontecer na rua e porque não estava em casa para tomar conta''.
Há nove anos, Maria Antônia ficou viúva e decidiu trocar a casa onde viveu por mais de duas décadas por um apartamento, onde mora hoje com as duas filhas mais novas. ''Três dias depois de me mudar para o apartamento já não lembrava mais que tinha morado em casa'', confessou. Para ela, a sensação de segurança é a maior vantagem de morar num condomínio.
''Quando quero sair, viajar, tranco a porta e vou tranquila. Não tenho mais medo de deixar as meninas sozinhas em casa'', declarou a professora. Para ela, ''as filhas ficaram até mais soltas depois da mudança''.
Maria Antônia também sempre gostou de cuidar de plantas. ''Quando morava em casa, plantava cebolinha, tinha flores. No apartamento também tenho uns vasinhos na sacada'', disse. Mas para ela, ''apartamento é para gente e não para bicho''.
Uma desvantagem de morar em prédio, segundo a professora, é ter de arcar com a taxa de condomínio para sempre. ''É como um aluguel'', comparou. ''Também é mais fácil fazer amizade quando se mora em casa, pois num prédio todo mundo sai sempre apressado e ninguém costuma ir nas reuniões de condomínio.''
A professora contou que o filho dela está construindo uma casa num condomínio horizontal e sugeriu que ela também construísse uma. ''Não quero mais morar em casa, não'', concluiu Maria Antônia.
Uma pesquisa apresentada pela Brain Bureau de Inteligência Corporativa no início do ano constatou que Londrina é a sexta cidade mais verticalizada do Brasil e está entre as 12 com mais prédios no mundo.
Conforme dados do estudo, que considerou apenas os edifícios acima de 12 andares, isto é resultado da falta de espaço em áreas hipervalorizadas como a Gleba Palhano, que concentrou 46,15% e 33,33% dos prédios acima de quatro andares, construídos em 2005 e 2006, respectivamente.
De acordo com o delegado Jorge Coimbra, do Sindicato da Habitação e Condomínios de Londrina (Secovi), a verticalização em Londrina vem desde a década de 1950. ''Na época, a maioria dos moradores de prédios eram agricultores que queriam manter suas famílias seguras.''
''Depois, os prédios serviram para abrigar os estudantes que cursavam a UEL e também os pesquisadores que chegaram na cidade por causa do Iapar e da Embrapa'', rememorou Coimbra.
Segundo ele, hoje, o prédio mais alto de Londrina fica na Gleba Palhano e tem mais de 30 andares. Até então, os prédios não passavam de 25 andares. ''O edifício está praticamente terminado, mas acredito que ainda não tem moradores'', completou. O município tem cerca de 1,4 mil condomínios verticais.


