Um notebook esquecido em uma cadeira de lanchonete rendeu um raro exemplo de honestidade esta semana em Londrina: um jovem assalariado encontrou, guardou o equipamento e, sem exigir nada em troca, devolveu ao dono, um empresário que já tinha perdido as esperanças. O valor do bem é quatro vezes maior do que o salário que ele ganha em uma cadeia de ‘‘fast food’’.
  A bela história começou a ser escrita na quinta-feira. O empresário Daniel César Figueira foi almoçar na praça de alimentação de um shopping do Centro da cidade e colocou seu notebook numa cadeira ao lado. Assim que terminou a refeição, saiu apressado e acabou esquecendo o equipamento.
  Numa mesa próxima, estava sentado o atendente de lanchonete Caio Henrique da Silva Gomes, 20 anos, com a namorada. Ele percebeu que alguém havia esquecido uma pasta e decidiu ficar com o computador portátil até que o dono retornasse para procurá-lo. Após mais de uma hora e meia esperando, Caio decidiu ir embora e tentar descobrir a quem pertencia o equipamento.
  Figueira disse que retornou após algum tempo ao shopping mas ninguém mais sabia do paradeiro do computador. Na terça-feira decidiu anunciar a perda em um programa de TV para tentar recuperar o equipamento, não pelo valor do bem mas pelas informações pessoais de extrema importância que estavam armazenadas nele. Depois de receber muitos trotes e falsos pedidos de recompensa, o empresário atendeu a ligação de Gomes dizendo que estava com o aparelho e que aguardava para devolvê-lo. ‘‘Já estava perdendo as esperanças quando ele me ligou dizendo que tinha guardado o notebook. Achei uma atitute muito nobre da parte dele e, mesmo ele não querendo, dei uma recompensa por descobrir que ainda tem gente honesta neste país’’, elogiou Daniel.
  Gomes disse que em nenhum momento pensou em ficar com o notebook, mesmo sabendo que seria impossível ser encontrado por quem o havia perdido. ‘‘Fiz o que era certo e o que tinha que ser feito. Nem passou pela minha cabeça ficar com o computador, mas acho que se tivesse deixado lá outra pessoa iria encontrar e ficar com ele’’, apontou, mesmo sabendo que se vendesse o equipamento poderia conseguir o equivalente a quatro meses de salário. ‘‘Para que ia fazer isso? O dono ficou tão feliz quando liguei que me tratou como se fosse alguém da família dele’’, elogiou o jovem que, com um gesto simples, renovou as esperanças de termos um Brasil mais honesto.

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