Londrinense corre risco de vida em prisão, alerta irmã
Osmani Costa
De Londrina
A Rosemary está muito debilitada; não come há vários dias e nem consegue mais andar sozinha. Ela pode morrer a qualquer momento, se não receber os tratamentos médicos adequados e continuar sendo agredida fisicamente naquela prisão. Ela não consegue dormir, tem convulsões e os alimentos não param no seu estômago. Esta declaração é da vendedora autônoma Rosa Helena Garcia Ferreira, que chegou ontem de Assunção (capital do Paraguai), onde visitou durante oito dias a irmã Rosemary Garcia Ferreira, 32 anos.
A londrinense Rosemary Ferreira está presa, desde maio de 96, sob acusação de tráfico de drogas, na Penitenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor. De acordo com Rosa Ferreira, a irmã dela foi agredida a socos e pontapés, por funcionários da prisão, duas vezes nos últimos 15 dias. Ela está cheia de hematomas deixados pelas pancadas nos braços, nádegas, pernas, cabeça e costas. Ela está muito magra, fraca e deprimida.
Segundo Rosa Ferreira, que chegou na manhã de ontem do Paraguai, Rosemary foi agredida pela primeira vez na tarde do dia 30 de agosto porque dava restos de comida aos pombos e cantava hinos religiosos no pátio do presídio onde tomava sol. Ela ficou tão chocada com a humilhação, tão deprimida, que foi para o banheiro e ficou 16 horas seguidas debaixo do chuveiro, tentando se limpar de tanta sujeira. Dois dias depois, novamente ela foi agredida covardemente por três funcionários, afirma Rosa Ferreira.
Durante a entrevista coletiva à imprensa ontem à tarde, na sede do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, a irmã de Rosemary estava muito emocionada e chorou várias vezes. De acordo com ela, também o advogado paraguaio Ramon Ranulfo Pandega marido de Rosemary sofreu agressões físicas de seguranças daquela penitenciária da capital paraguaia. A saúde dela só piora. Sinto que estão deixando minha irmã morrer sem o devido atendimento. Hoje, embarca para Assunção uma comissão de autoridades brasileiras que visitarão Rosemary e tentarão apressar junto à Justiça paraguaia o julgamento dela. Só depois de receber a sentença, ela poderia ser extraditada para o Brasil.





