Londrinense cai em golpe achando que ajudava Roberto Carlos
Mulher procurou a Delegacia de Estelionatos após ser vítima do chamado "golpe do amor"; criminoso fez promessa de passeio em navio do cantor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de outubro de 2024
Mulher procurou a Delegacia de Estelionatos após ser vítima do chamado "golpe do amor"; criminoso fez promessa de passeio em navio do cantor
Pedro Marconi 

A Delegacia de Estelionatos de Londrina investiga uma denúncia em que uma moradora da cidade teria sido vítima do chamado "golpe do amor", crime em que o golpista utiliza identidade falsa para atrair a pessoa e envolvê-la emocionalmente, quando aproveita para pedir dinheiro. Só que neste caso, o estelionatário se passou pelo cantor Roberto Carlos, que tem 83 anos, deixando uma fã londrinense no prejuízo.
O valor exato que foi perdido ainda está sendo verificado, porém, a polícia já sabe que se trata de um montante financeiro volumoso. Toda a conversa entre a vítima e o falso Roberto Carlos foi pelas redes sociais. "Segundo a vítima, ela é muito fã dele e esse golpista tinha uma página semelhante. Se passando pelo cantor, o criminoso alegou que estava com a conta bloqueada, que hackers tinham invadido a conta dele e aí ficou descapitalizado por um tempo. Ele pediu uma ajuda para essa fã", narrou o delegado Edgard Soriani.
LEIA TAMBÉM:
- TJ revoga soltura de londrinense flagrado com 800 kg de cocaína
= 'Não caia nessa': Polícia Civil alerta para golpes e armadilhas digitais
A vítima teria feito várias transferências bancárias e até empréstimos pessoais acreditando que estava mandando o dinheiro para o ídolo e um dos mais famosos cantores brasileiros. "Com isso desestruturou toda a família. Quando realmente descobriu o golpe, o buraco já 'estava grande', ela já tinha acabado com as economias da família", destacou.
Até promessa de uma viagem no cruzeiro do Roberto Carlos o golpista fez para convencer a mulher a ajudá-lo. "Eu até falei para ela: mas você acha que o rei Roberto Carlos não teria condições? Ela falou que a conversa foi tão boa, tão enganosa, que ele disse que ia restituir na sequência. Foi fazendo essa ilusão e, infelizmente, houve um prejuízo considerável para essa vítima", pontuou.

QUEBRAS BANCÁRIAS
O inquérito segue aberto, com a Polícia Civil ainda dependendo da quebra do sigilo bancário de contas que teriam sido beneficiadas. A apuração é considerada complexa. "O dinheiro vai para uma conta, tem que pedir a quebra. A solicitação vai para o juiz, vai para o promotor, depois volta, o banco tem que responder em tempo hábil. Uma quebra demora de quatro a cinco meses. Esse dinheiro é retransmitido e tem que pedir novas quebras. São vários anos de investigação para chegar em um resultado útil. A Justiça é boa, mas nesse ponto específico é muito morosa", classificou.
ALERTA
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 mostrou que no Brasil, uma pessoa é vítima de um estelionato a cada 16 segundos. No Paraná foram 7.029 registros de golpes por meio eletrônico em 2023, aumento de 22,5% em relação ao ano anterior.
"Fica o alerta, não só para esse golpe do amor, mas também para outros. Depois que o dinheiro sai da nossa esfera de vigilância, ele é retransferido e não é mais recuperado. Geralmente são 'laranjas' que recebem o dinheiro na conta, depois repassam para terceiros. Mas o dinheiro em si é gasto, não volta mais. Os criminosos que dão esse golpe recebem, por exemplo, R$ 100 mil e pulverizam, gastam, vão em festas, eles não compram bens e, se compram, não estão em seus nomes", advertiu.
DE ESTELIONATO À FALSIDADE IDEOLÓGICA
Advogado especialista em direito digital e crimes cibernéticos, Fernando Peres ressaltou que existem até variações do "golpe do amor". "Têm os mesmos fins, mas com outros meios. Existem casos de pessoas que se passam por príncipes, nobres da África que precisam mandar joias ou príncipe árabe que precisa mandar presentes, mas depende que impostos sejam pagos. Tem quem se passa por uma pessoa sozinha que está procurando parceira ou parceiro e tem herança para receber, mas deve pagar imposto antes", elencou.
Além do crime de estelionato, que é o artigo 171 do Código Penal, os bandidos podem ser enquadrados em outras tipificações. "Tem o crime de falsidade ideológica, que é quando o criminoso se passa por alguém utilizando nome, foto, identidade, tem o crime de furto mediante fraude", pontuou. "Muitos desses criminosos estão até em outros países. Os criminosos praticam o mesmo golpe contra dezenas de pessoas e acabam mantendo um relacionamento por meses, enviando fotos e dando informações (falsas)."
SEMPRE DESCONFIAR
O melhor caminho para não se tornar vítima é sempre desconfiar, ainda mais quando envolve famosos. "Pessoas famosas não têm contato fácil, não vão pedir dinheiro emprestado. Ao menor sinal de dúvida, não fornecer dados, não fazer filmagens e se precisar de mais informações não pode ter vergonha de perguntar para amigos e familiares. Muitas vezes os criminosos têm um grupo específico, de pessoas que não têm manejo tão ágil na internet. A pessoa é conquistada", frisou.


