As inscrições para o concurso de agente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que se encerram hoje, chamaram a atenção para uma nova indústria de ensino, que já é citada por alguns profissionais de educação como promissor mercado: os cursinhos preparatórios para concursos públicos. A falta de perspectivas profissionais, aliada aos benefícios concedidos, especialmente a estabilidade de emprego, estão contribuindo para que o ingresso no serviço público seja cada vez mais concorrido. Em Londrina, são pelo menos quatro cursinhos centrando fogo nos preparatórios, alguns planejando inclusive expansão física para dar conta da demanda.
Entre alunos, é consenso: quem estiver melhor preparado, toma a dianteira. No caso da CMTU, a disputa é por 60 vagas, com salário inicial de R$ 554,00. No primeiro dia de inscrições, um total de 150 pessoas oficializaram a participação. Luiz Antonio Alvarenga, professor e sócio de um dos cursinhos de Londrina, calcula que, no total, serão cerca de 4 mil inscritos. Vinte deles já estão matriculados no seu preparatório, que espera receber mais 80 alunos. Aberto em agosto, o cursinho vai preparar suas turmas em 28 dias para o concurso.
Muitos dos postulantes estão longe de salas de aulas por décadas. É o caso de Toshio Kondo, 51 anos, agente comunitário de Saúde. Aposentado, ele vai tentar a vaga para ter mais uma atividade. ''São apenas seis horas diárias de trabalho, e já estou acostumado a andar muito na minha função'', lembra Toshio. ''Se não entrar em um cursinho, é difícil conseguir passar no concurso''.
E o que ele quer, assim como centenas de alunos, é instrução suficiente para garantir o êxito. Especialmente os macetes que vão ajudar na resolução da prova. ''O pessoal vem atrás de mágica, e um pouquinho a gente consegue fazer'', conta o professor Alcides Amaral Neto, sócio em um cursinho.
O telefone dos cursos não param de tocar. É gente querendo informações sobre o preparatório, concurso e as apostilas. Ou espiões de escolas rivais, querendo saber como andam os preços. A espionagem faz parte do mercado. Um curso cobrava, de cada candidato, três prestações de R$ 75,00. O outro parcelou em três de R$ 60,00. E com a diminuição de dias disponíveis para a preparação, abateu uma prestação. O concorrente igualou. Daí mais uma redução, de R$ 5,00, em cada parcela. E as apostilas, outro filão que começa a ser explorado, também sofrem reduções ao sabor da oferta. Um curso lançou por R$ 35,00, o outro veio com o compêndio R$ 5,00 mais barato. O primeiro teve que igualar.
Outra escola do tipo, que iniciou suas atividades em janeiro, é totalmente dedicado aos preparatórios. Uma das maiores preocupações de seu diretor, o professor Ivaldo Luiz Campagnolli, era com o espaço físico. Ele está ampliando sua estrutura, com mais uma sala de aula além da que possuia. ''Perdi uma turma para a concorrência porque não tinha onde dar as aulas'', lamenta.

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