Londrina vive epidemia de dengue
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de março de 2003
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Apesar de Londrina já enfrentar uma epidemia de dengue desde dezembro do ano passado, a secretaria de Saúde só admitiu a situação essa semana. Um dos motivos para isso, segundo o secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, é não gerar dúvidas sobre a gravidade da situação e para que a população não fique tranquila. ''O fato de não utilizarmos a terminologia 'epidemia' poderia ser um motivo de tranquilidade para a população, apesar de sempre chamarmos atenção para a gravidade da situação'', argumentou.
Segundo o secretário, a política de combate a doença não muda com a epidemia, mas se intensifica. ''Na prática já estávamos tratando a situação desde dezembro como se fosse epidemia'', afirmou. Ontem, em entrevista à Folha, ele admitiu que não esperava uma situação ''com essa magnitude'' em Londrina este ano e que a meta era reduzir o número de casos. Fernandes considera limitada a ação de combate ao mosquito e disse que mais eficácia nesse combate passa necessariamente por um maior envolvimento da população na campanha.
Ontem, o imobiliarista Nilson Amâncio denunciou o que considera um exemplo de descaso: uma construção abandonada na Rua Paranaguá (área central) virou um possível foco para o mosquito da dengue. Além de mato alto e de entulhos, que podem estar acumulando água de chuva, o poço do elevador inacabado também está cheio de água.
Uma funcionária da imobiliária está com dengue e não sabe onde contraiu a doença, se no bairro onde mora, Vila Recreio (área central), ou no trabalho. ''Tenho seis funcionários da mesma família e estão todos apavorados e a vizinhança também está preocupada. A gente está sempre vendo o mosquito (aedes aegypti) por aqui'', afirmou Amâncio.
O secretário de Saúde explicou que a população deve denunciar onde existem construções abandonadas que poderiam estar sendo focos da doença. Disse ainda que em casos como este é feito tratamento com larvicida válido por três meses. Ontem, uma equipe de agentes esteve no local e verificou que não havia larvas na água. Hoje, outra equipe deve providenciar medidas para impedir o acúmulo de água no local.


