Londrina vai vistoriar casas de repouso
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
Motivada pela denúncia de maus-tratos num asilo de idosos no Parque Ouro Branco, a Vigilância Sanitária de Londrina iniciou na semana passada uma vistoria nos 15 estabelecimentos cadastrados na cidade. De acordo com o gerente da autarquia, Marcelo Viana de Castro, o relatório da fiscalização deverá estar concluído antes do Carnaval.
O asilo denunciado foi interditado e pode apresentar a defesa até a próxima sexta-feira. Segundo a secretária Municipal do Idoso, Maria Ângela Santini, oito idosos ainda vivem no local e seus familiares têm apenas esta semana para buscá-los.
Maria Helena Ferreira é proprietária do asilo e sócia na Casa de Repouso Recanto Feliz, localizada na zona leste da cidade. Impressionada com as denúncias veiculadas pela mídia, uma comerciária, que não quis se identificar, retirou o pai do Recanto Feliz. Quando cheguei lá sexta-feira à noite fiquei chocada com o desleixo e a falta de higiene dos pacientes que ali estavam, explicou.
A comerciária disse que seu pai ficou 11 dias internado para tratar de diabetes recém-descoberto. Ela afirma que fez uma pesquisa em vários estabelecimentos da cidade e que o Recanto Feliz oferecia o melhor preço e, a princípio, parecia adequado às suas necessidades. Os idosos têm medo de reclamar e serem maltratados. Meu pai confessou que os funcionários perdem a paciência com facilidade e reprimem os insatisfeitos com ameaças discretas.
Esta mulher afirma que pagou R$ 300,00 adiantados pelo atendimento e que agora está tentando reaver o dinheiro. Segundo ela, seu pai está traumatizado pela experiência e chora toda vez que relembra o episódio. Um médico constatou que ele não havia tomado os medicamentos corretamente e que não estava bem alimentado. O pior é que outros 10 idosos ainda estão vivendo lá, disse a denunciante, que chegou a registrar queixa na 10ª Subdivisão Policial na última sexta-feira.
Berenice Alves é outra sócia do Recanto Feliz e nega todas as reclamações da comerciária. Nossa casa de repouso nada tem a ver com o asilo do Parque Ouro Branco. A documentação que legaliza o estabelecimento está quase pronta e as modificações sugeridas pela Vigilância Sanitária serão providenciadas nos próximos 15 dias, explicou Berenice que coordena o estabelecimento há seis meses.


