O aterro sanitário de Londrina poderá começar a dar lucro e ter uma importante função social. É que Londrina foi escolhida pelos ministérios das Cidades e do Meio Ambiente para estudos para utilização do gás produzido em aterros sanitários e lixões, o biogás, em troca de créditos de carbono. A cidade está entre os 30 municípios brasileiros escolhidos para o projeto, a maioria capitais. A notícia foi divulgada na última sexta-feira, em Brasília, pela assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente.
De acordo com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Gabrile Gabriel Ribeiro de Campos, no Brasil, o tratamento dos gases em aterros sanitários é praticamente todo feito com a queima do metano (CH4) e a liberação do dióxido de carbono na atmosfera. No entanto, os gases gerados são liberados no meio ambiente, aumentando a poluição e reduzindo a qualidade de vida das populações. ''O gás metano é 23 vezes mais nocivo à camada de ozônio do que o CO2 que sai do escapamento dos carros'', afirmou Campos.
Queimando esse gás, o presidente da CMTU diz que já se faz um grande benefício à natureza. ''Porém, queimá-lo no motor é melhor ainda porque vamos estar transformando energia mecânica em elétrica'', compara ele, acrescentando que esta energia poderá ser utilizada em prédios públicos ou ser enviada para comunidades carentes. ''Poderemos vender esta energia para a Copel, por exemplo. Trata-se de uma energia limpa'', explica.
Segundo Gabriel Campos, o aterro de Londrina será substituído por outro local brevemente. Mesmo assim, a área ficará produzindo gás por mais de 20 anos. ''Existe um passivo ambiental que terá que ser monitorado, porém poderemos converter isso em benefícios para a população. Não tenha dúvida que o maior ganho é o ambiental'', destacou, cometando que desta forma Londrina entra no mapa dos municípios ecologicamente correto.
O município se inscreveu para a seleção no ano passado. Na primeira etapa a cidade ficou entre as 200 pré-classificadas e agora, na seleção final, foi escolhida. A aplicação do gás na geração de energia é uma operação prevista pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto (MDL). Os estudos serão financiados pelo Ministério do Meio ambiente e governo japonês que deverá doar US$ 979 mil até o fim de 2006.

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