A proposta de solução para o problema das ligações elétricas clandestinas em Londrina deve ser apresentada à Promotoria de Defesa dos Direitos Constitucionais em 30 dias. A previsão é do presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Carlos Eduardo de Afonseca e Silva. Ontem ele disse que pretende conversar com o prefeito Nedson Micheleti (PT) ainda esta semana para definir quais serão as prioridades da sugestão. ‘‘É um assunto que envolve cerca de 46 mil pessoas carentes e que, na maioria dos casos, vivem em assentamentos irregulares há bastante tempo. É uma situação complicada que não tem como ser resolvida às pressas’’, justificou Silva.
O prazo dado pela Justiça ao município encerra-se no próximo dia 2. Até lá, o promotor Paulo Tavares disse que vai esperar uma manifestação do poder Executivo. Segundo ele, seu interesse é evitar os desligamentos, mas também regularizar a habitação dessas famílias e atender o direito da Copel em receber pelo serviço. O gerente da área de gestão da distribuidora de energia, Artur Nishikawa, disse que a empresa não tomará qualquer atitude antes de consultar o município. ‘‘Nossa maior preocupação não é o prejuízo financeiro, mas o risco que essas pessoas estão correndo’’, explicou. Ainda de acordo ele, o número de ligações clandestinas na cidade em relação à população é proporcionalmente semelhante aos registrados em Curitiba e Foz do Iguaçu.
A Cohab estima que em Londrina mais de mil famílias estejam nessa situação. Somente no assentamento Monte Cristo (região leste) são 600. Além dele, foram encontrados ‘gatos’ (nome popular das linhas clandestinas) também no Conjunto Habitacional Aquiles Stenghel, Jardim União da Vitória, Favela do Quati, Jardim Franciscato, Assentamento João Paz, Conjunto Habitacional João Turquino, Jardim Maracanã e Assentamento José Belinati.
No momento, a Cohab, a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e as secretarias da Ação Social e Obras estão reunindo informações para subsidiar a proposta. Na opinião de Silva, a solução do caso depende de boa vontade e de recursos que poderão ser adquiridos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou através de Organizações Não-Governamentais (ONGs).

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